Seguro avisa que Portugal e UE não podem ser passivos sobre tecnologia e inteligência artificial

Seguro avisa que Portugal e UE não podem ser passivos sobre tecnologia e inteligência artificial

 O Presidente da República avisou hoje que Portugal e a União Europeia não podem ter uma "atitude passiva" em relação à tecnologia e inteligência artificial, referindo que, em termos europeus, parece que ainda não se saiu do "mundo analógico".

Lusa /
Manuel de Almeida - Lusa

Na sessão de encerramento da Grande Conferência Anual do Diário de Notícias, que decorreu na Fundação Champalimaud, em Lisboa, António José Seguro falou da tecnologia, inteligência artificial e cibersegurança e referiu que "os países que souberem integrar estas tecnologias nas suas empresas e na sociedade sairão mais fortes", enquanto "os outros ficam na fila do supermercado", ou seja, são "países com o estatuto de um vulgar consumidor".

"No meu entender, este é um dos motivos por que Portugal e a União Europeia não podem ter uma atitude passiva. Não podem esperar anos para avançarem com um plano que visa recuperar anos de atraso. Com alguma ironia, é paradoxal a agilidade europeia, num mundo cuja velocidade é vertiginosa. Parece que ainda não saiu do mundo analógico", avisou.

Para o Presidente da República, a questão tecnológica não é apenas económica, mas "também política e civilizacional".

Seguro avisou que esta questão "agudiza os efeitos das mudanças no relacionamento entre os estados" e que não haver regras "pode ser um contexto fértil para a proliferação de novos instrumentos e redes tecnológicas com estratégias ofensivas".

"Por outro lado, vivemos numa era em que algoritmos influenciam as nossas escolhas. Talvez, mais grave, a desinformação é produzida em escala industrial e personalizada à medida de cada cidadão", apontou, considerando que a cibersegurança já não é um tema técnico, mas sim "uma dimensão central da soberania dos Estados".

É neste contexto de "desinformação industrial" que o Presidente da República considerou o jornalismo de qualidade como "um pilar crítico da democracia".

"Sem jornalismo livre não há escrutínio do poder, não há debate de qualidade, não há cidadãos com a informação de que precisam para decidir bem. A qualidade da nossa democracia depende, também, da qualidade do jornalismo que se faz e o país tem de aferir, com seriedade, o que quer fazer, os valores que deseja garantir, para ter um jornalismo livre e plural", sustentou.

O Presidente da República partilhou com a plateia uma experiência que fez com um modelo de linguagem, ao qual fez um pedido: "conta-me a verdade e só a verdade".

"A resposta que obtive foi sincera: `a verdade, sem rodeios: sou um modelo de linguagem. Não sou uma pessoa, não tenho experiência nem uma vida fora desta conversa, e não sei com certeza se tenho algo a que se possa chamar sentimentos ou consciência`", leu.

 

 

 

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