Seguro diz que sucesso de um Governo mede-se pelos resultados e não por anúncios de medidas

Seguro diz que sucesso de um Governo mede-se pelos resultados e não por anúncios de medidas

Lisboa, 13 Nov (Lusa) - O deputado socialista António José Seguro considerou quarta-feira à noite que a arrogância nunca pode ser marca de um Governo de esquerda e que um executivo avalia-se pelos resultados e não pelos anúncios de medidas.

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As posições do ex-ministro de António Guterres foram assumidas perante dezenas de militantes da secção de Alvalade (Lisboa) do PS, durante um colóquio sobre "Governar à esquerda".

Após a intervenção inicial de Seguro, em que logo advertiu que um Governo de esquerda nunca deverá conceber o diálogo como "um obstáculo", seguiram-se cerca de duas dezenas de intervenções de militantes, quase todas elas críticas em relação ao actual executivo socialista.

Uma militante, que se disse amiga de infância do ex-presidente da Câmara de Lisboa João Soares, foi mais longe e fez críticas directas ao primeiro-ministro, José Sócrates, e à "arrogância" do Governo socialista.

António José Seguro demarcou-se imediatamente da militante, advertindo: "Nunca me ouvirá em público dizer mal de um Governo do PS".

A seguir acrescentou: "Quanto à questão da arrogância, eu julgo que a arrogância não pode ser uma marca de um Governo de esquerda. Isso está no nosso código genético".

Ao longo de duas horas de debate, este foi o estilo de intervenção de António José Seguro, que evitou comentar actos do Governo em concreto, optando em contrapartida por falar sobre princípios políticos de esquerda democrática.

Na sua intervenção inicial, Seguro procurou definir o que caracteriza um Governo de esquerda democrática, criticou "a elasticidade ideológica" de alguns líderes políticos e defendeu as virtudes do diálogo social.

"Para a esquerda, como nós a entendemos, o diálogo não pode ser encarado como um instrumento ou como um obstáculo para a governação. O diálogo faz parte do processo deliberativo que conduz à decisão. Governar à esquerda não é só fazer sem discutir" mas "discutir primeiro para depois fazer bem", sustentou, antes de se pronunciar sobre o que é um bom executivo.

"Governar à esquerda avalia-se mais pelos resultados do que pelo anúncio das medidas", disse, citando depois o ensaísta italiano Norberto Bobbio.

No primeiro período de perguntas, um militante já idoso criticou a política de educação do Governo, sublinhando a importância dos professores no sistema de ensino.

António José Seguro, presidente da Comissão Parlamentar de Educação, não respondeu directamente ao militante mas comentou que "o papel dos professores deve ser valorizado, porque são indispensáveis à concretização de qualquer projecto educativo".

Já sobre os factores que justificam Portugal estar em divergência com a média dos países da União Europeia, o deputado socialista criticou as sucessivas mudanças de orientação de políticas estruturais por parte dos governos nacionais.

"As políticas estruturantes em Portugal não podem alterar-se conforme se alterem os governos, ou muitas vezes mesmo se alterem quando muda um ministro", advogou, criticando depois que se "eliminem políticas públicas sem que antes se faça delas uma avaliação".

O ex-ministro e António Guterres foi também confrontado com queixas de vários militantes sobre uma alegada falta de debate interno no PS sempre que este partido chega ao poder.

"Não me resigno a isso", declarou Seguro, defendendo em seguida que "a qualidade da governação" de um executivo PS "será tanto maior quanto mais souber motivar os seus militantes e apoiantes para a discussão interna".

"A discussão interna ajuda a corrigir e a formular melhores políticas", disse, antes de defender que o PS necessita de "mais formação interna".

"O PS não só precisa de formação sobre a acção em concreto, caso dos autarcas, mas também de mais formação ideológica e de mais discussão", observou.

PMF.


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