Sentença deve ser conhecida a 18 de Julho
Gondomar, 1 Jul (Lusa) - Na última sessão de alegações finais do processo Apito Dourado de Gondomar o juiz-presidente lembrou aos arguidos e advogados que "a culpa da dimensão dada a este processo não é dos meios de comunicação social".
Carneiro da Silva sustentou que esta parte do processo "não merecia o relevo que teve, se comparado com os muitos julgamentos que decorrem por todo o país e têm maior importância".
O julgamento deve terminar a 18 de Julho, pelas 10:30, com a leitura do acórdão.
Os dez advogados que falaram hoje em Gondomar em representação dos arguidos João Mesquita, João Macedo, Valente Mendes, Barbosa da Cunha, Carlos Carvalho, Hugo Vladimiro, Ricardo Pinto, António Eustáquio, José Manuel Rodrigues e Sérgio Sedas, sustentaram que "não foi produzida prova em julgamento que sustente os crimes" pelos quais os arguidos estão acusados pelo Ministério Público (MP).
Amílcar Castro, advogado de defesa de Ricardo Pinto, sustentou mesmo que "não foi produzida qualquer prova que possa consubstanciar uma pena".
Naquela que foi a 43.ª sessão do julgamento houve mesmo um advogado que comparou o tribunal a um jogo de futebol com o MP e a defesa a desempenharem o papel de equipas, o juiz-presidente, Carneiro da Silva, a fazer de árbitro e a oficial de justiça, Alexandra Pereira, a representar o quarto árbitro.
"Peço desculpa ao senhor doutor juiz António Figueiredo (juiz do colectivo) que, por não ser apreciador de futebol, pensei em fazer uma comparação com pólo aquático", ironizou Manuel Luís Ferreira, advogado de Valente Mendes.
A propósito das ofertas dos clubes aos árbitros, com alegadas contrapartidas, o causídico recordou que é a própria Federação Portuguesa de Futebol "a oferecer prendas aos árbitros no final da Taça".
"Também a FPF deveria estar aqui a ser julgada", sugeriu.
As alegações finais ficaram ainda marcadas por vários momentos de poesia que começaram com a citação da Pedra Filosofal, de António Gedeão, por Gonçalo Silva, procurador do MP.
Hoje foi a vez de José Régio, e o seu Cântico Negro - um poema que Pinto da Costa gosta de dizer - serem lembrados pela advogada Fátima Castro (mandatária de António Eustáquio), em resposta à contestação da sua decisão em permitir que aquele ex-árbitro quebrasse o pacto de silêncio a que se remeteram todos os arguidos desde o início do processo.
A criatividade nas alegações foi uma constante com Narciso Correia, advogado de Barbosa da Cunha, a comparar a acusação ao Titanic pois "há muito tempo que anda a meter água".
Pedindo a absolvição do seu cliente, uma solicitação partilhado por todos os advogados de defesa do processo, Correia acredita que "não ficará necessidade de recorrer porque imperará o bom senso".
No final da sessão o juiz-presidente voltou a chamar todos os arguidos para perguntar se queriam agora prestar alguma declaração, obtendo invariavelmente uma resposta negativa.
Carneiro da Silva questionou-os ainda sobre o relatório social feito a cada um e sobre as suas fontes de rendimentos.
Valentim Loureiro admitiu ganhar cerca de 3300 euros pelo seu cargo como presidente da Câmara Municipal de Gondomar, um valor apenas ultrapassado pelos 6500 euros auferidos por Pinto de Sousa.