Sindicato dos Técnicos de Diagnóstico desmente Instituto de Medicina Legal

Sindicato dos Técnicos de Diagnóstico desmente Instituto de Medicina Legal

O Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica garante que as greves que convocou não puseram em causa a saúde de qualquer doente. Em causa está um processo por alegado erro médico que levou à amputação do braço esquerdo a uma mulher de 39 anos.

Andreia Filipa Novo - RTP /

Anabela Duarte interpôs um processo em tribunal contra o Centro Hospitalar de Tondela-Viseu ao abrigo do qual foi ordenada a realização de perícias pelo Instituto Nacional de Medicina Legal.

Uma delas concluia que a “doente deveria ter sido observada por Angiologia e Cirurgia Vascular como resposta ao pedido de encaminhamento”, mas entre os “vários fatores que contribuíram para a não realização destes exames”, estava “ a greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica”.

Para o Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica “esta informação em nada corresponde à verdade, pois o referido exame nunca foi prescrito pelo médico. Trata-se de uma deturpação dos factos, pois os serviços mínimos estavam assegurados e o exame teria sido realizado se prescrito como urgente.”

O presidente do sindicato, Luis Dupont, garante que “nenhum exame solicitado em regime de serviço de urgência deixa de ser feito em greve. São situações sempre garantidas desde que prescritas pelo clínico. Não são os técnicos que prescrevem. Em regime de urgência, um exame só não é realizado por mau diagnóstico médico ou por falta do mesmo”.

À RTP, o Instituto Nacional de Medicina Legal diz não haver "qualquer evidência de que o parecer do Conselho Médico-Legal esteja incorreto” e que todos estes documentos “são elaborados com base nas informações clínicas hospitalares que são presentes a este órgão colegial.”

O caso de Anabela Duarte remonta a 2014 e foi objeto de uma investigação do Sexta às 9.

Num intervalo de 15 dias, esta mulher dirigiu-se quatro vezes ao Centro Hospitalar de Tondela-Viseu com dores fortes, dormência no membro e com as pontas dos dedos arroxeadas.

Obteve sempre o mesmo diagnóstico: problema cervical.

No dia 26 de outubro de 2014 Anabela dirigiu-se uma vez mais ao hospital de Tondela e foi atendida por uma médica diferente.

Pela primeira vez foi-lhe diagnosticado um problema vascular e seguiu de imediato para a hospital de Viseu onde teria à sua espera um cirurgião vascular.

Esta informação consta do processo clínico da paciente, consultado pelo Sexta às 9.

Só que ao chegar às urgências, a mulher de 39 anos não foi reencaminhada para cirurgia vascular.

O médico que a atendeu não fez, nem mandou, fazer qualquer exame. Limitou-se a encaminhá-la para um ortopedista.

Quatro dias depois, Anabela Duarte deixou de sentir o membro esquerdo.

Sofreu a amputação total do braço.
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