Sindicato Nacional da Polícia pede "reestruturação séria" nas grandes cidades
O Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) defendeu hoje uma "reestruturação séria, racional e global do dispositivo policial nas grandes cidades", após o ministro da Administração Interna admitir encerrar esquadras da PSP.
Na quarta-feira, Luís Neves garantiu que o eventual encerramento de esquadras da PSP em algumas zonas urbanas, como em Lisboa, visa "ter mais gente [polícias] na rua e junto das pessoas".
Em resposta, num comunicado, o SINAPOL reiterou que, "nos dias de hoje, a mera existência de esquadras abertas não pode ser confundida como fator de maior segurança para os cidadãos".
O sindicato criticou a manutenção de "estruturas policiais abertas sem capacidade operacional adequada, em muitos casos, em evidente estado de degradação e sem quaisquer condições funcionais".
"Preservar uma presença física meramente simbólica da Polícia, frequentemente destinada a satisfazer interesses políticos ou os egos de alguns autarcas, representa uma política errada de segurança pública", acrescentou o SINAPOL.
No programa "Grande Entrevista" da RTP Notícias, Luís Neves explicou que uma esquadra exige no mínimo quase 30 pessoas, mas recusou a criação de "super esquadras".
"Posso garantir aos lisboetas e portuenses que o fecho de uma esquadra vai levar a que sintam mais presença dos polícias na rua", salientou.
Também o SINAPOL defendeu que, "em muitas situações", manter esquadras abertas "representa menos polícias na rua, menor visibilidade policial, menor capacidade de prevenção criminal e menor capacidade de resposta operacional".
O sindicato apelou a "uma reestruturação séria, racional e global do dispositivo policial nas grandes cidades, assente em critérios de operacionalidade, eficácia, racionalização de recursos e verdadeira proximidade às populações".
Uma reorganização que deve ser acompanhada pela melhoria das condições salariais e de trabalho, o reforço efetivo de recursos humanos e a modernização de equipamentos, meios e infraestruturas, disse o SINAPOL.
O sindicato recomendou ao ministro da Administração interna que "desencadeie imediatamente um processo negocial sério com vista à valorização profissional e salarial" dos agentes de polícia.
Na mesma entrevista, Luís Neves admitiu que "eventualmente pode ter falhado a vigilância e o controlo" interno sobre o que se estava a passar na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa.
A PSP e o Ministério Público já realizaram três operações no âmbito dos casos de tortura e violações na esquadra do Rato, sobretudo a pessoas vulneráveis, como toxicodependentes, sem-abrigo e imigrantes.
No total foram detidos 24 polícias -- dois chefes e 22 agentes -- e 13 estão em prisão preventiva.
Muitos desses abusos foram filmados e partilhados, em grupos na plataforma WhatsApp, com dezenas de outros agentes.