País
Sindicatos da PSP e GNR convocam paralisação dia 31 e prometem "marcação cerrada" ao Governo
Os elementos da PSP e GNR vão levar a cabo concentrações e paralisações dia 31 de janeiro para contestarem o facto de não receberem um suplemento de missão semelhante ao dos elementos da Polícia Judiciária (PJ). Os polícias prometem fazer "marcação cerrada" ao Governo e cortar relações com o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro.
A plataforma que reúne os sindicatos da PSP e as associações da GNR esteve reunida esta sexta-feira.
“Continua a ser incompreensível, que o racional que está subjacente ao valor do suplemento de missão da PJ não se aplique à PSP e GNR, que continuam a sentir-se desrespeitados, desconsiderados e desvalorizados pelo Governo”, lê-se num comunicado enviado às redações.
Acusando o executivo de “irresponsabilidade”, os sindicatos prometem, em primeiro lugar, o “corte de relações com o MAI por falta de interesse, tempo e incompetência objetiva e comprovadas”.
Esse corte vem acompanhado de uma “marcação cerrada” ao Governo, que consideram o “principal responsável pela imparidade”.
Por último, os agentes decidiram agendar concentrações e paralisações a nível nacional para dia 31 de janeiro, com recurso à Lei Sindical. Caso não haja respostas após estas ações, a plataforma promete “novas formas de luta” já em fevereiro.“Se tivéssemos o bisturi da greve, provavelmente, a surdez seletiva do Governo ficasse curada”, referem os sindicatos.
“Louvamos o fato de, à exceção do PS, todos os partidos políticos com assento parlamentar terem votado “A Favor” o projeto de Resolução n.º 948/XV/2.º (PCP) que propunha a valorização remuneratória e social dos trabalhadores das Forças e Serviços de Segurança”, refere ainda o comunicado.
“Alguns partidos políticos têm frisado o sentido de injustiça que reina na PSP e GNR, assumindo a Segurança como eixo estratégico para o desenvolvimento económico de Portugal e polo de atração de investimento”, acrescenta.
Governo "não dignificou a condição policial"
A contestação dos elementos da PSP e da GNR teve início após o Governo ter aprovado, a 29 de novembro, o pagamento de um suplemento de missão para as carreiras da PJ, que em alguns casos pode representar um aumento de quase 700 euros por mês.Após a reunião, o representante da plataforma de sindicatos, Bruno Pereira, disse aos jornalistas que “foi este Governo que em oito anos não dignificou a condição policial dos profissionais da PSP e da GNR, portanto, independentemente de estar demissionário ou não, é a ele que temos de continuar a exigir”.
"Como é que é possível que as duas forças de segurança deste país, porque não há mais nenhumas, possam ser tratadas desta forma?", questionou.
Bruno Pereira frisou que são os polícias e os militares que dão a primeira resposta, que lidam com o imprevisível e que salvam os filhos, os pais e os avós em qualquer situação que haja, por isso, são eles que estão na primeira linha de risco.
c/ Lusa