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Sintomas físicos da depressão são sub-diagnosticados

Sintomas físicos da depressão são sub-diagnosticados

Mais de metade dos doentes com depressão apresentam sintomas físicos, mas só em 10 por cento dos casos é que os médicos levam em consideração estes sintomas para diagnosticarem a doença, segundo um estudo divulgado hoje.

Agência LUSA /

Os dados deste estudo apresentado sexta-feira numa acção de formação com jornalistas, mas com embargo de divulgação até hoje, mostra que os médicos se baseiam sobretudo nos sintomas emocionais para diagnosticar uma depressão, subvalorizando os físicos. O estudo do psiquiatra João Miguel Pereira, do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, foi realizado entre 10 de Abril e 02 de Junho de 2006 e consistiu num questionário a 250 médicos - 150 clínicos gerais e 100 psiquiatras - com o objectivo analisar o nível do conhecimento dos médicos sobre a depressão e, especialmente, a relevância dada aos sintomas físicos da doença.

De acordo com este trabalho, a apresentar hoje no Chile, num congresso internacional de Psiquiatria, o sintoma mais comum para o diagnóstico da doença é a tristeza (em 76,4 por cento dos casos), seguido da perda de prazer (47,2 por cento) e do sentimento de impotência e culpa (41,6 por cento dos casos).

Entre os sintomas físicos mais prevalecentes nos doentes com depressão destacam-se as dores de cabeça (4,19 por cento), seguidas das dores generalizadas (3,36 por cento), das lombares (2,64 por cento) e das abdominais (2,8 por cento).

Outro dado mostra que nos pacientes diagnosticados, 47,43 por cento dos casos apresentavam mais sintomas emocionais, 17,72 por cento mais sintomas físicos e 34,84 por cento, ambos.

Apesar de 55,7 por cento dos doentes terem queixas físicas, estes só são considerados para o diagnóstico da doença em 10 por cento dos casos, sendo mais valorizados pelos médicos psiquiatras (13 por cento) do que pelos clínicos gerais (8 por cento).

Contudo, o trabalho realizado pelo psiquiatra João Miguel Pereira, em colaboração com mais três médicos, revela que 83,2 por cento dos médicos acreditam que quando estão a tratar os sintomas emocionais estão também a resolver os físicos.

A maioria dos médicos inquiridos, 74,9 por cento, concorda também que os seus pacientes atingirão a remissão da doença se forem tratados ambos os sintomas, físicos e emocionais.

Ainda no que se relaciona com a destrinça dos sintomas, 51,3 por cento dos médicos não prescreve uma terapêutica diferente por haver sintomas físicos, enquanto 48,7 por cento o fazem.

No período em análise, para a execução deste trabalho, uma média de 22,8 por cento dos doentes que estavam a ser tratados sofria de depressão, sendo que 80,5 por cento apresentavam um diagnóstico pré-existente e 19,5 por cento eram casos novos.

A maioria dos doentes, 43,1 por cento estava a ser seguido por psiquiatras e 13,5 por cento por médicos de clínica geral.

Este estudo concluiu, tal como outros, que há mais casos de depressão diagnosticados em mulheres do que em homens - 69 por cento e 31 por cento, respectivamente.

Ainda na caracterização do perfil dos doentes com depressão, este trabalho mostra que a classe etária entre os 30 e os 50 anos é onde se situa a maior parte dos casos, 43,5 por cento.

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