SNS com mais utentes e défice de 1.035 milhões de euros em 2025

SNS com mais utentes e défice de 1.035 milhões de euros em 2025

O Conselho de Finanças Públicas avançou esta segunda-feira que o SNS fechou o ano de 2025 com mais utentes, menos consultas presenciais e um défice "significativamente acima do previsto".

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Nuno Patrício - RTP

O número de utentes do SNS em 2025 voltou a aumentar, “totalizando cerca de 10,7 milhões de utentes e assim invertendo a diminuição registada no ano anterior”, de acordo com o relatório do Conselho de Finanças Públicas sobre a “Evolução do Serviço Nacional de Saúde em 2025”.

Segundo o documento, o número de utentes sem médico de família aumentou para 1,56 milhões, mais 41 mil do que em 2024. Destes, cerca de 70% são da região de Lisboa e Vale do Tejo.

Já o volume de consultas médicas nos cuidados primários reduziu ligeiramente (-0,9% face ao ano anterior), “uma vez que as consultas não presenciais continuaram a aumentar (3,3%)”.

Nos serviços de urgência e internamento, apesar da redução no número de episódios de urgência, os tempos máximos de atendimento recomendados só foram cumpridos em 44% dos casos, uma “evidenciando dificuldades persistentes na capacidade de resposta atempada das urgências hospitalares”.SNS com défice de 1.035 milhões de euros
Segundo o Conselho de Finanças Públicas, o SNS registou, em 2025, um défice de 1.035 milhões de euros, “um valor significativamente acima do previsto no Orçamento do Estado para esse ano (217 milhões de euros)”, mas ainda assim uma melhoria de 534 milhões face a 2024.

“A situação financeira do SNS continuou a depender de reforços extraordinários de capital atribuídos pelo Estado, os quais não se encontram refletidos no saldo do SNS. Entre 2016 e 2025, os reforços extraordinários de capital acumulados ascenderam a cerca de 7,9 mil milhões de euros”, refere.

A receita total do SNS atingiu 15.926 milhões de euros, o que representou um crescimento de 10,8% face a 2024. “As receitas de impostos provenientes do Orçamento do Estado continuam a ser a principal fonte de financiamento ao representar 93,9% do total das receitas”, indica o relatório.

Já a despesa do SNS atingiu 16.962 milhões de euros, mais 4,4% do que em 2024, essencialmente devido a um aumento de 502 milhões de euros em despesas com o pessoal, 333 milhões em fornecimentos e serviços externos e 158 milhões em compras de inventários.
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