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"Só recebemos nomes". Igreja diz não ter dados suficientes para tomar medidas contra acusados

"Só recebemos nomes". Igreja diz não ter dados suficientes para tomar medidas contra acusados

A Conferência Episcopal Portuguesa anunciou esta sexta-feira a criação de uma comissão articulada com a coordenação nacional para acolher e responder aos testemunhos das vítimas de abusos sexuais na Igreja. Questionado sobre medidas concretas a adotar contra os padres acusados, D. José Ornelas disse não ter recebido dados suficientes por parte da Comissão Independente, apenas "uma lista de nomes".

Joana Raposo Santos - RTP /
A Conferência Episcopal Portuguesa anunciou a criação de uma "comissão articulada com um grupo específico dentro da coordenação nacional". Foto: Paulo Novais - Lusa

“O que nos foi entregue é uma lista de nomes, sem outra caracterização”, o que “torna difícil” uma investigação por parte da Igreja, declarou em conferência de imprensa o presidente da CEP.

“Primeiro é preciso saber quem são. Quanto ao processo seguinte, seguimos as normas civis e canónicas”, nomeadamente as normas relativas à “plausibilidade de pôr em perigo o contacto com outras pessoas e a persistência de eventuais delitos”, frisou.

No entanto, para José Ornelas “é preciso haver uma base sólida” de modo a que sejam tomadas ações contra os acusados, não bastando uma lista de nomes. “Enquanto não for minimamente provado” não é possível retirá-los dos seus cargos”, defendeu.“[É preciso saber] quem foi que disse? Em que lugar? Onde?”, afirmou. “O que se pode fazer é confrontar com as informações que tenhamos acerca de tais nomes para ver se temos outra informação”.

O bispo explicou ainda que as listas dos acusados foram entregues a cada diocese individualmente, pelo que não tem conhecimento do número total de nomes. “Do ponto de vista da proteção de dados, [as dioceses] são as entidades responsáveis pela investigação de possíveis casos”, acrescentou.

Questionado pela RTP sobre o acompanhamento das vítimas pelas comissões diocesanas e a eficácia destas, D. José Ornelas avançou que a Igreja pretende estabelecer parcerias com instituições que dispõem de profissionais de referência, como o próprio Serviço Nacional de Saúde.

“[Mantém-se] o princípio absoluto de que nós vamos assegurar o apoio às vítimas, segundo o seu desejo”, insistiu.

Quanto a eventuais casos de encobrimento de abusos sexuais dentro da Igreja, o bispo respondeu que “a conclusão [da CEP] é sempre a mesma”. “Não compactuamos com situações dessas, mas também não embarcamos em qualquer acusação de encobrimento”, garantiu.
Igreja vai criar comissão
A Conferência Episcopal Portuguesa apresentou esta sexta-feira apenas uma medida: a criação de uma “comissão articulada com um grupo específico dentro da coordenação nacional” que terá de possuir “credibilidade perante as vítimas para acolher o seu testemunho”.

Esta futura comissão “terá independência e o ponto de comunicação direto será com a coordenação nacional”, com “a Conferência Episcopal por trás”, afirmou o secretário da CEP, Manuel Barbosa.

Esta nova entidade deverá adotar a metodologia aplicada pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra Crianças na Igreja Católica Portuguesa, já que esta revelou ser “apropriada”, segundo a CEP.

Manuel Barbosa frisou que a Igreja quer continuar a “dar voz” às vítimas, “para que assim o sofrimento não fique calado”.

“É com dor que novamente pedimos perdão a todas as vítimas de abusos sexuais no seio da Igreja Católica em Portugal”, declarou, anunciando ainda a realização de um memorial no decorrer da Jornada Mundial da Juventude.
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