Sociedade Portuguesa de Matemática critica estrutura e regras do exame do 12.º ano

Sociedade Portuguesa de Matemática critica estrutura e regras do exame do 12.º ano

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considerou esta quarta-feira que o exame nacional de Matemática A do 12.º ano não é eficaz na avaliação dos alunos e não garante "uma seriação justa no acesso ao Ensino Superior".

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Aaron Lefler - Unsplash

Em comunicado, a SPM começa por realçar que a prova da primeira fase apresenta uma “estrutura bastante diferente” da escolhida no ano anterior “em virtude de abranger dois grupos de alunos que estudaram com bases curriculares distintas, quer em conteúdos, quer em níveis de exigência e rigor matemático”.

A Sociedade Portuguesa de Matemática diz ter expressado, em devido tempo, “a sua preocupação com a realização de uma prova única para alunos provenientes de currículos diferentes”, tendo recomendado que o Ministério da Educação “avaliasse a legalidade dessa medida e promovesse uma clarificação jurídica da situação, a fim de evitar potenciais prejuízos significativos para os diferentes grupos de estudantes envolvidos”.

No entanto, “a prova agora realizada confirma a pertinência das preocupações já apresentadas”, refere, falando em “decisões tomadas sem consulta à comunidade científica ou educativa” que comprometem “princípios democráticos relevantes para a educação e para a ciência, na formulação de políticas públicas”.

“Na educação, a ausência de informação e diálogo informado limita a possibilidade de encontrar soluções equilibradas, que preservem tanto a transparência como a comparabilidade entre provas, bem como o seu equilíbrio no futuro, tal como se verifica nesta prova”, condena.

A SPM critica também aquelas que considera “regras confusas”, “a ausência de itens obrigatórios mais desafiantes” e o facto de ter havido apenas uma versão da prova, “descuidando-se a preocupação, revelada em exames de outras disciplinas, em evitar que as respostas aos itens de escolha múltipla possam ser copiadas” pelos alunos.

A Sociedade Portuguesa de Matemática conclui dizendo que “é fundamental assegurar que cada item e que a prova como um todo sejam eficazes na avaliação dos alunos, respeitando os diferentes níveis de desempenho e garantindo uma seriação justa no acesso ao Ensino Superior, o que com esta prova não é alcançado”.

Esta quarta-feira foi conhecida outra polémica com o exame de matemática, neste caso do nono ano de escolaridade, com a prova a circular na Internet no dia em que estava a ser realizada pelos alunos.
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