Sociedade Portuguesa de Matemática diz que subida de notas não significa melhoria do ensino
Lisboa, 04 Jul (Lusa) - O presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática recusou hoje que a subida de notas do exame de 12º ano revele uma melhoria de ensino e acusou o ministério da Educação de estar a dar um "péssimo sinal" aos alunos.
O resultado dos exames anunciados hoje pelo ministério da Educação indicam que no exame de matemática B a subida média de notas foi superior a 50 por cento (visto que a média de notas passou de 7,5 valores para 11,4 este ano).
Em matemática A o aumento foi de 32 por cento face aos resultados do ano passado (12,5 valores este ano contra os 9,4 verificados em 2007): "É o milagre da multiplicação das notas", comentou ironicamente Nuno Crato.
O professor de matemática lembra que "há muito tempo" que a Sociedade Portuguesa de Matemática anda a dizer que os exames que o ministério tem feito não são comparáveis de ano para ano e que este ano a falta de comparação "ainda é mais patente".
"Nada se pode concluir sobre comparação de resultados", afirma, contrapondo a posição do ministério sobre a melhoria de notas que diz ser resultado de "mais tempo de trabalho e estudo por parte dos alunos acompanhado pelos professores", "provas de exame correctamente elaboradas, sem erros e com mais tempo de realização" e um "maior alinhamento entre o exame, o programa e o trabalho desenvolvido pelos professores".
Nuno Crato diz que "ninguém pode acreditar que os resultados traduzem uma melhoria de ensino" pois "da maneira como o ministério está a conduzir os exames" essa melhoria não se pode avaliar.
"As subidas [de nota] são tão grandes que não podem traduzir nada real. O ministério está a dar um péssimo sinal aos alunos, dizendo-lhes que a melhoria das notas depende da forma como os exames são feitos e não do seu trabalho", adiantou Nuno Crato.
Segundo os dados oficiais hoje divulgados, no exame de Matemática A do 12º ano a taxa de reprovação baixou para 7 por cento, contra os 18 por cento do ano passado, numa prova em que a média de notas foi de 12,5 valores.
A taxa de reprovação de 7 por cento dos 36.674 alunos que fizeram este ano a prova de Matemática A é menos de metade da verificada no ano passado (18 por cento) e cerca de um quarto da de 2006 (29 por cento).
Em relação aos alunos internos (ou seja, os que frequentaram a disciplina durante todo o ano), a média obtida foi de 14 valores, 3,4 valores acima do que se verificou em 2007, ano em que pela primeira vez a média obtida por estes alunos foi superior a 10 valores.
No total dos alunos, ou seja incluindo os alunos que alunos que já estavam chumbados e se auto-propuseram a exame, a média é de 12,5 valores (mais 2,1 valores do que os 9,4 de 2007).
Na Matemática B (prova realizada por 6.731 alunos), a média de resultados foi de 11,4, uma subida em relação aos 7,5 valores verificada em 2007.
A taxa de "chumbos" neste exame foi igualmente de 7 por cento contra os 24 por cento de 2007 e os 30 por cento em 2006.
Na Matemática Aplicada às Ciências Sociais o cenário é inverso: a média de 9,6 valores obtida este ano pelos 8.533 alunos é inferior aos 11,5 valores do ano passado. Também a taxa de reprovações aumentou de 7 por cento em 2007 para 13 por cento este ano.
Num comunicado divugado hoje, o Ministério da Educação enaltece a "melhoria" nos resultados da Matemática, "que se verifica pelo terceiro ano consecutivo".
Por outro lado, o ME diz que os resultados deste ano resultam do "efeito combinado de três factores": "mais tempo de trabalho e estudo por parte dos alunos acompanhado pelos professores [...] no âmbito do Plano de Acção para a Matemática", "provas de exame correctamente elaboradas, sem erros e com mais tempo de realização" e um "maior alinhamento entre o exame, o programa e o trabalho desenvolvido pelos professores".
A tutela salientou ainda a "elevada correlação (0,71) entre as classificações internas e as do exame nacional".
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