Sócrates ataca legitimidade do Governo de Santana Lopes

Sócrates ataca legitimidade do Governo de Santana Lopes

O líder socialista, José Sócrates, criticou hoje a legitimidade de Santana Lopes enquanto primeiro- ministro e líder do PSD, alegando que não foi eleito nem em legislativas nem em congresso partidário.

Agência LUSA /
Lusa

No primeiro debate entre Santana Lopes e José Sócrates no Parlamento, a discussão incidiu nas condições políticas em que o primeiro-ministro ascendeu ao cargo de chefe do Governo.

"O senhor primeiro-ministro nunca ganhou um congresso nem umas eleições legislativas e nenhum congresso do PSD poderá transformá-lo naquilo que não é: um primeiro-ministro escolhido pelos portugueses", declarou o secretário-geral do PS.

José Sócrates falou de passagem sobre os dois temas do debate mensal: a revisão da lei do arrendamento e as auto-estradas sem portagem (SCUT+S).

Na lei do arrendamento, o líder socialista prometeu votar contra a proposta do Governo caso de "mantenha a actual versão ligeira, leviana do diploma, que permitirá o despejo de milhares de famílias".

No caso das auto-estradas sem portagem, Sócrates defendeu as medidas assumidas pelos governos socialistas, dizendo que o sistema das SCUT+s permitiu ligar as auto-estradas a cidades como a Guarda, Viseu, Vila Real e Chaves.

O secretário-geral do PS criticou ainda as recentes promessas anunciadas pelo primeiro-ministro de baixar o IRS, aumentar os salários e as pensões e conter o défice do Estado na casa dos três por cento.

"O senhor primeiro-ministro prometeu aos portugueses gelo quente, mas gelo quente não existe. Não pode comprar o seu estado de graça à custa do estado de desgraça dos portugueses", disse Sócrates.

Na resposta, Pedro Santana Lopes lembrou que foi nomeado por decisão do Presidente da República baseada na existência de uma maioria parlamentar e em pareceres dos membros do Conselho de Estado.

Depois, Santana Lopes lembrou a sua vitória nas eleições para a Câmara de Lisboa, em Dezembro de 2001, numa autárquicas que "levaram à saída do ídolo" de José Sócrates (António Guterres) das funções de primeiro-ministro.

Na réplica, José Sócrates acusou o primeiro-ministro de "falta de autoridade" e de "falta de liderança", tendo um Governo em que os "ministros se digladiam na praça pública".

"O senhor primeiro-ministro não está no lugar certo. Não tem jeito para ser primeiro-ministro", acrescentou.

Na sua segunda intervenção, o secretário-geral do PS usou como arma de ataque "as pressões políticas" do Governo que levaram à saída do ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa da TVI.

"Vai ser uma nódoa que o perseguirá até ao fim, porque o que se passou foi indigno de um partido democrático", acusou o líder socialista.

Sobre o "caso Marcelo", Pedro Santana Lopes condenou as "insinuações" feitas pelo líder socialista.

"Se quer insinuar que não há liberdade de expressão em Portugal, isso é ofensivo da memória do 25 de Abril de 1974", respondeu, lamentando depois que o líder socialista não veja "que a economia está a crescer e que as receitas do Estado estão aumentar".

"Como a realidade não lhe convém, o PS quer viver de casos de ficção, mas os portugueses, felizmente, não querem isso", disse o primeiro-ministro.

PUB