Sócrates diz que conta com Alegre e Soares
O novo secretário-geral do PS, José Sócrates, convidou sábado à noite os seus adversários na corrida à liderança do partido, Manuel Alegre e João Soares, para trabalharem com a sua direcção na construção de uma alternativa política ao Governo.
José Sócrates, que venceu as eleições para o cargo de secretário-geral com 80 por cento dos votos, foi recebido em ambiente de festa por cerca de duas centenas de pessoas.
Na primeira declaração política após a sua vitória, sem direito a perguntas por parte dos jornalistas, o ex-ministro do Ambiente de António Guterres ensaiou o discurso da unidade e prometeu afirmar o PS como "uma alternativa construtiva" ao actual executivo de coligação PSD/CDS-PP.
"A história não se faz apenas dos vencedores e Manuel Alegre e João Soares deram um grande contributo para enriquecer o debate interno do PS. Conto com eles para travar as batalhas do PS e tenho consciência do valor da unidade", disse, recebendo palmas da plateia.
No entanto, Sócrates também deixou um recado ás correntes socialistas que apoiaram as candidaturas de Manuel Alegre e de João Soares à liderança dos socialistas.
"A unidade constrói-se com tolerância, na pluralidade e na recusa de sectarismos. Mas também se constrói nas escolhas que os militantes socialistas fizeram neste acto eleitoral", afirmou.
Ao contrário de Manuel Alegre e de João Soares, que fizeram as suas declarações políticas a partir da sede nacional do PS, José Sócrates escolheu um hotel de Lisboa para fazer o seu discurso de vitória.
Na sala, entre os militantes, estavam quase todos os principais dirigentes que apoiaram a candidatura do ex-ministro do Ambiente: Jorge Coelho, António Costa, Jaime Gama, Pina Moura, Edite Estrela e Vitalino Canas.
Apesar de ter dirigido ao país o seu primeiro discurso enquanto líder socialista, José Sócrates considerou que houve "um grande vencedor" no debate interno para a escolha do sucessor de Ferro Rodrigues no cargo de secretário-geral: "esse vencedor foi o PS", disse.
Para José Sócrates, "a democracia portuguesa ficou com a certeza de que pode contar com o PS", porque "está na linha da frente da mudança e da renovação".
"Tivemos uma votação histórica, com a participação de mais de 30 mil militantes", que "fizeram uma escolha clara, quer para o seu secretário-geral, quer para a linha estratégica do partido".
"Os militantes decidiram. Está decidido", disse, considerando- se "honrado" com a responsabilidade de suceder na liderança dos socialistas a Mário Soares, Victor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres e Ferro Rodrigues.
Para este último, José Sócrates dirigiu algumas palavras:
"Quero expressar o meu profundo reconhecimento pelo exemplo de coragem cívica e moral que deu enquanto foi líder do PS", disse, numa referência ao seu antecessor no cargo.
Sobre a situação do país, José Sócrates afirmou que "a mudança política em Portugal" começou com o encerramento do processo eleitoral dos socialistas.
"Dirijo-me aos descontentes, aos que não se conformam com a situação do país e que querem mais", afirmou, antes de deixar uma mensagem ao Governo PSD/CDS.
"O Governo pode contar com uma oposição mais forte, mais enérgica, mais eficaz e que se afirmará pela apresentação de uma alternativa construtiva e credível", declarou.