Substância para baixar colesterol aumenta esperança vida dos diabéticos

Substância para baixar colesterol aumenta esperança vida dos diabéticos

Um estudo clínico internacional que aponta para um aumento da esperança de vida dos diabéticos medicados com uma determinada substância, habitualmente usada para reduzir o colesterol, vai ser apresentado quinta-feira, no Porto.

Agência LUSA /

O trabalho, denominado CARDS (Collaborative Atorvastatin Diabetes Study), concluiu que aquela substância diminui significativamente o risco de enfarte e de acidente cardiovascular em todos os diabéticos, que em Portugal rondam os 500 mil.

Em declarações à Lusa, Francisco Rocha Gonçalves, director do Serviço de Cardiologia do Hospital de S. João, Porto, disse que o estudo avaliou a acção da atorvastatina (produto que reduz o colesterol) em pacientes diabéticos que não apresentavam qualquer histórico de doença cardiovascular e níveis relativamente baixos de colesterol.

De acordo com Rocha Gonçalves, o estudo, que envolveu 2.838 diabéticos ingleses e irlandeses, com idades entre os 40 e os 75 anos, revelou que os pacientes que tomaram atorvastatina apresentaram uma redução de 37 por cento nos principais incidentes cardiovasculares.

"No caso concreto do acidente vascular cerebral, verificou-se uma redução de 48 por cento, o que representa para os portugueses uma excelente notícia, na medida em que os AVC são no nosso país uma das principais causas de morte", sublinhou.

A taxa de mortalidade no grupo de pessoas estudadas foi 27 por cento inferior, comparativamente ao grupo de controlo, constituído por doentes que tomaram um placebo (medicamento inócuo, ministrado com fins sugestivos).

Rocha Gonçalves realçou ainda "a dose mínima de toxicidade" do tratamento, revelando que no total dos casos estudados apenas se registou uma situação de fraqueza muscular, o que, aliás, também se registou no grupo de controlo.

O estudo clínico será apresentado aos médicos no Norte do país, num simpósio a realizar num hotel do Porto.

Estará presente Paul Durrington, um dos investigadores do estudo CARDS, Francisco Rocha Gonçalves, director do Serviço de Cardiologia do Hospital de S. João e vice presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Luís Medina, director do Serviço de Endocrinologia do S. João, e Pedro Marques da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose.

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