Supremo confirma condenação a 25 anos de prisão do antigo cabo da GNR condenado por três homicídios
Viseu, 06 Jun (Lusa) - O Supremo Tribunal de Justiça rejeitou o recurso do antigo cabo da GNR de Santa Comba Dão que foi condenado por um tribunal de primeira instância a 25 anos de prisão pelo homicídio de três jovens.
Fonte ligada ao processo disse hoje à Agência Lusa que "o Supremo Tribunal de Justiça considerou o recurso improcedente", confirmando a decisão do tribunal da Figueira da Foz.
António Costa, cabo da GNR de Santa Comba Dão que se encontrava na reserva, foi condenado a 31 de Julho do ano passado, no Tribunal da Figueira da Foz, por nove crimes: três de homicídio (dois qualificados), dois de ocultação de cadáver e um de profanação, dois de coacção sexual na forma tentada e um de denúncia caluniosa agravada.
No mesmo dia, a sua advogada, Carla Bettencourt, anunciou aos jornalistas que ia recorrer, por considerar que "certas coisas que foram mencionadas no acórdão não foram dadas como provadas", enquanto advogados e familiares das três vítimas se mostraram satisfeitos com a decisão do tribunal.
No entanto, em Fevereiro, o Tribunal da Relação de Coimbra rejeitou o recurso, por razões processuais, alegando a sua "manifesta improcedência".
A justificação foi que, para que o Tribunal da Relação pudesse reexaminar a prova, o recorrente teria de especificar "os pontos de facto que considera incorrectamente julgados", "as provas que impõem decisão diversa da recorrida" e "as provas que devem ser renovadas".
O recurso para o Supremo Tribunal de Justiça deu entrada naquela instância a 21 de Maio e foi decidido pelo colectivo de juízes da 5ª secção criminal, disse à Lusa uma fonte do STJ.
Carla Bettencourt disse hoje à Lusa desconhecer que o recurso para o Supremo Tribunal de Justiça também tenha sido negado e, por isso, escusou-se a tecer considerações.
"Ainda não fui notificada", garantiu.
A advogada apenas recordou que a decisão de recorrer para o Supremo se prendeu com o facto de entender que, "à luz da jurisprudência", o Tribunal da Relação de Coimbra "não poderia ter alegado aqueles motivos".
As jovens Joana Oliveira, Mariana Lourenço e Isabel Cristina, todas residentes nas proximidades da casa de António Costa, foram assassinadas entre Maio de 2005 e Maio de 2006, deixando em choque a população de Santa Comba Dão.
O julgamento de António Costa teve início a 04 de Junho do ano passado, durou sete sessões, e culminou na sua condenação à pena máxima.