Supremo recusa analisar pedido de afastamento de Varges Gomes

Supremo recusa analisar pedido de afastamento de Varges Gomes

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) recusou hoje analisar, "por falta de objecto", o pedido feito pelo advogado das vítimas, Pinto Pereira, para afastamento do desembargador Varges Gomes da apreciação de um recurso do processo Casa Pia.

Agência LUSA /

"Não se tomou conhecimento do recurso por falta de objecto", adiantou à Agência Lusa fonte do STJ, sobre a decisão tomada hoje por um colectivo do Supremo composto por Ruas Dias (relator), Pires Salpico, Henriques Gaspar e Antunes Grancho.

O STJ entende não ter que se pronunciar sobre o pedido de afastamento de Varges Gomes, já que não foi este desembargador o sorteado para decidir a pronúncia ou não pronúncia (ida ou não a julgamento) de Paulo Pedroso, Herman José e Francisco Alves, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

No passado dia 06 de Setembro o incidente de recusa do desembargador da Relação Varges Gomes deu entrada no STJ, tendo sido determinado que só seria distribuído a um juiz relator no dia 15, data da reabertura dos tribunais após as férias judiciais de Verão.

O afastamento de Varges Gomes - juiz relator do recurso do Ministério Público (MP) contra a não ida a julgamento do deputado Paulo Pedroso, do humorista Herman José e do arqueólogo subaquático Francisco Alves - foi solicitado pelo advogado das vítimas do processo Casa Pia, Pinto Pereira.

O "alarme social" terá sido o motivo invocado para pedir o afastamento de Varges Gomes, um juiz com supostas ligações ao PS.

Antes de o incidente de recusa ter "subido" ao STJ, Varges Gomes teve de se pronunciar sobre o pedido para o seu afastamento do processo Casa Pia, mas não foram divulgados pormenores.

A notícia das alegadas ligações do juiz desembargador ao PS, cuja veracidade o jornal "Público" diz ter apurado, teve por base um blogue da Internet denominado "Do Portugal profundo".

O acórdão que Varges Gomes preparou como relator teria de ser votado por um colectivo de três juízes e não seria recorrível se coincidisse com a posição da juíza de instrução criminal (TIC) de Lisboa Ana Teixeira e Silva de não levar a julgamento Paulo Pedroso, Herman José e Francisco Alves por crimes de natureza sexual.

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