Surto tem aumentado enfartes do miocárdio - Fundação Cardiologia

Surto tem aumentado enfartes do miocárdio - Fundação Cardiologia

O presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Manuel Carrageta, afirmou hoje que o número de enfartes do miocárdio tem aumentado devido ao surto da gripe, mas os hospitais não estabelecem essa relação.

Agência LUSA /

Em declarações à Agência Lusa, Manuel Carrageta afirmou que "garantidamente" tem havido um "aumento franco" do número de enfartes do miocárdio em consequência do surto de gripe, percepção que tem não só devido à sua prática clínica, mas também de "conversas informais" mantidas com médicos de hospitais da zona de Lisboa.

De acordo com o presidente da FPC, este nexo de causalidade já foi demonstrado num estudo inglês recente, que indica que "em pessoas susceptíveis para doenças cardíacas, uma gripe ou uma infecção respiratória pode ser a gota de água".

Aquele estudo, publicado em meados de Dezembro passado no New England Journal of Medicine, revela que a taxa de enfartes do miocárdio foi cinco vezes maior e a de ataque cardíaco três vezes maior nos três dias seguintes ao diagnóstico de infecção do trato respiratório.

Estas descobertas sustentam a ligação entre infecções agudas e o risco de acidentes vasculares, identificam a magnitude desta associação e a sua resolução no tempo.

Foi ainda avaliado o risco de enfarte do miocárdio e ataque cardíaco após as comuns vacinas e as suas consequentes infecções naturais.

No entanto, não se verificou qualquer aumento de risco de enfarte do miocárdio ou de ataque cardíaco no período seguinte à vacinação contra influenza (gripe), tétano, ou pneumococo.

O estudo adianta ainda que o risco é maior nos primeiros três dias após o diagnóstico da infecção, e vai diminuindo gradualmente nas semanas seguintes, até 90 dias.

Porém, nos hospitais da região de Lisboa contactados pela Lusa, que têm estado a registar uma grande afluência às urgências de doentes com sintomas gripais, pneumonias e infecções respiratórias, não existem dados que permitam comprovar essa relação.

Álvaro Carvalho, presidente do conselho de administração do Hospital Garcia de Orta, afirmou que "a pneumonia e as infecções respiratórias diminuem a oxigenação" pelo que "um coração debilitado, com a diminuição da pressão do oxigénio, pode desenvolver um enfarte do miocárdio".

Mas o médico considera que "a ligação com a gripe é um bocadinho abusiva" e não tem sido confirmada pelos casos cardíacos atendidos pelo hospital nos últimos dias.

"Há dias em que temos cinco casos, outros oito, mas não há um aumento", acrescentou.

Também o director do Hospital Curry Cabral, Pedro Canas Mendes, reconhece que "as dificuldades respiratórias podem originar problemas cardíacos, mas é cedo para estabelecer essa realidade epidemiológica".

O responsável acrescentou que a verificar-se a ligação entre o surto gripal que afecta actualmente a população portuguesa e um aumento de casos de enfarte do miocárdio "só será possível analisar daqui a dois ou três meses".

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