Telemóveis são das principais causas de conflito e devem ser proibidos, Conselho Escolas
Lisboa, 20 Mar (Lusa) - Os telemóveis constituem uma das principais causas de conflito nas escolas portuguesas, devendo, por isso, ser proibidos no interior dos estabelecimentos de ensino, defendeu hoje o presidente do Conselho das Escolas (CE).
"Algumas tecnologias de informação e comunicação, como os telemóveis, constituem, provavelmente, um dos principais factores de perturbação e conflito dentro das escolas. Acho que deviam ser proibidos", disse à Lusa Álvaro Almeida dos Santos.
A edição on-line do semanário Expresso divulgou hoje um vídeo que mostra uma aluna da secundária Carolina Michaellis, no Porto, a agredir a professora de Francês por esta lhe ter retirado o telemóvel dentro da sala de aula.
Captado por outros estudantes da turma, o vídeo chegou a ser difundido no You Tube, tendo, no entanto, sido hoje removido daquele site.
Em declarações ao Expresso, o director-adjunto da Direcção Regional de Educação do Norte afirmou ter ordenado à escola a abertura de um inquérito, adiantando que o conselho executivo do estabelecimento não tinha, até esse momento, conhecimento do caso.
A Lusa tentou contactar o Ministério da Educação sobre este caso, o que não foi possível em tempo útil.
Confrontado com esta situação, o presidente do Conselho de Escolas afirmou à Lusa que "os telemóveis são entendidos pelas próprias famílias com um direito" que não pode ser negado aos filhos, vivendo-se actualmente uma "obsessão pela comunicação virtual que é preocupante".
"Tem de haver uma consciencialização das famílias para que estas salientem aos filhos a importância do respeito pelas regras da escola e do civismo", defendeu o responsável, defendendo que é necessária uma alteração de comportamentos na própria sociedade.
Relativamente aos alunos envolvidos neste caso, Álvaro Almeida dos Santos considerou que "há um conjunto de medidas sancionatórias que podem ser aplicadas", que podem incluir a suspensão da escola ou mesmo a transferência para outro estabelecimento de ensino.
"As escolas têm algumas medidas ao seu alcance e compete-lhes usá-las. Neste caso concreto, a censura social que foi criada em torno da actuação dos alunos já é, por si só, uma medida pesada", considerou.
JPB.
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