Tempestades marítimas do Inverno rigoroso obrigam a intervenção urgente

Tempestades marítimas do Inverno rigoroso obrigam a intervenção urgente

Várias arribas algarvias tiveram de ser objecto de intervenções urgentes que reparassem os danos causados pelas tempestades de mar do último Inverno. Também na costa oeste de Lisboa existe a preocupação com o estado das arribas que não ficaram imunes aos efeitos do Inverno rigoroso. Governo atribui verba de 100 milhões de euros para combater a erosão das costas portuguesas.

Eduardo Caetano, RTP /
Ainda não está esquecida a derrocada de uma arriba na Praia Maria Luísa, em Albufeira que provocou cinco mortes e deixou três pessoas feridas RTP

A Administração da Região Hidrográfica do Algarve (ARH) viu-se na contingência de intervir em catorze praias do Algarve para reparar as suas arribas que se encontravam em risco de desmoronamento.

Belharucas, Olhos d´Água, Maria Luísa, Oura, Santa Eulália, Forte S. João, e Inatel no concelho de Albufeira Armação de Pêra no concelho de Silves, e Pintadinho e Carneiros no concelho de Lagoa foram as praias que já foram alvo de obras de reparação.

Três Castelos e Careanos no concelho de Portimão, Tonel no concelho de Vila do Bispo e Portinho do Forno em Aljezur são as praias que se seguem completando o elenco de catorze praias a ser intervencionadas.

O efeito das tempestades de mar no Inverno que terminou no passado dia 20 de Março no litoral do Algarve "permite a sua inclusão na classe dos anos em que se registaram as situações de ruptura mais graves no litoral do Algarve, com período de retorno de 10 anos, nomeadamente as registadas nos anos de 1978/79; 1989/90 e 1995/96, em consequência quer da intensidade do fenómeno, quer da sua concentração no tempo, quer da sua frequência", informa a ARH.

A intensidade e persistência da agitação marítima com alturas iguais ou superiores a 2,5 metros atingiram um nível que não é muito frequente e que teve como efeito o "rebaixamento generalizado do nível de areia das praias e transferência da areia para a zona submarina".

"Deste rebaixamento do nível da areia resultou em muitos casos, o aparecimento da plataforma rochosa e de calhau rolado, que constitui a base das praias suportadas por arribas", explica a ARH.

A Praia da Fuzeta foi alvo de um fenómeno pouco frequente com 44 das 71 casas aí existentes a serem total ou parcialmente destruídas entre Dezembro e Março.

Nas ilhas da Ria Formosa registaram-se também galgamentos em todas as ilhas e penínsulas.

Autarcas da costa Oeste preocupados

À semelhança dos seus colegas do Algarve, também os autarcas da costa Oeste de Lisboa estão preocupados com a segurança e estabilidade das arribas das praias que servem a região em virtude dos efeitos do Inverno rigoroso que se fez sentir em território nacional.

Uma opinião é unânime entre os autarcas. É urgente a intervenção do Estado no sentido de corrigir e repor a segurança nas Arribas.

"As arribas são uma preocupação permanente", afirma o presidente da Câmara de Peniche, António José Correia, mas cuja opinião é partilhada pelos vereadores de Torres Vedras Carlos Bernardes e de Lourinhã, Vital Rosário da Lourinhã. Se o primeiro foi eleito pela CDU o restantes foram eleitos em listas do Partido Socialista.

António José Correia não tem dúvidas de que as Arribas estão inseguras e dá o exemplo da derrocada de parte da Arriba na praia da Consolação inserida num local considerado como sendo o mais instável da região e para o qual "foram assegurados meios para uma intervenção de fundo", que deverá acontecer no "primeiro semestre de 2011".

Em Torres Vedras o local que mais preocupa os autarcas locais é o troço da Arriba entre Gambelas e a praia da Assenta, zona frequentada por pescadores e onde já "caíram rochas".

Na Lourinhã "a situação mais preocupante é na praia da Areia Branca na zona do Casal dos Patos (onde o desmoronamento de parte da arriba provocou estragos no jardim de uma habitação aí construída) onde a situação está a degradar-se ", afirmou o vereador Vital Rosário.

O Ministério do Ambiente já anunciou ter previstas obras de consolidação do local a iniciar no "terceiro trimestre de 2010 com a duração de seis meses".

Outras áreas, já identificadas como criticas, são as Arribas das praias de Paimogo, Porto das Barcas, Valmitão e Porto Dinheiro.

Os autarcas estão de acordo ao afirmar que existe actualmente uma melhor coordenação com o Instituto da Água e com a Administração Regional Hidrográfica do Tejo na identificação e monitorização de zonas em alto risco de erosão e na realização de obras de deslocamento de blocos instáveis e reperfilamento de Arribas.

"Quando acontecem desgraças como no Algarve acaba por haver evolução nomeadamente em termos de estudos de estabilização para identificar os pontos críticos e definição de intervenções", disse Vital Rosário.

"Há um plano de monitorização que está a ser feito e a próxima intervenção, depois de Santa Cruz, será na Praia Azul", adiantou Carlos Bernardes.

Combate à erosão costeira recebe 100 milhões em 2010
O combate à erosão costeira e a requalificação das zonas afectadas vão ser alvo este ano de um investimento de 100 milhões de euros, afirma a ministra do Ambiente citada pela Lusa.

Dulce Pássaro lembra que as condições meteorológicas dos últimos meses foram motivo de preocupação em pontos mais vulneráveis, como as ilhas barreiras do Algarve (o caso que requer uma intervenção mais célere) ou a zona da Lagoa de Óbidos, mas "nenhuma situação é irrecuperável".

"Vamos ter de investir mais, em alguns casos, em protecção, recuperação e requalificação", afirmou a responsável governamental lembrando que os 100 milhões de euros previstos para 2010 integram o Plano de Acção para o Litoral 2007-2013, que inclui verbas comunitárias, da administração central e das autarquias.

O montante anunciado vai permitir "salvar a costa" portuguesa, de acordo com a ministra que garantiu que a tutela não se vai coibir de solucionar os problemas a nível da construção que se coloquem nas zonas mais sensíveis.

"Respeitando os direitos das pessoas, temos de actuar, é uma questão de defendermos o bem público e de minimizarmos os riscos", defendeu.

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