Tenente general Tomé Pinto denuncia “falta de coragem” dos governos
Os sucessivos protagonistas do poder político do pós-25 de Abril revelaram "falta de coragem" para reconhecer os direitos dos antigos combatentes portugueses na Guerra do Ultramar. O diagnóstico foi deixado esta quarta-feira, em Lisboa, pelo tenente general Alípio Tomé Pinto, presidente da comissão executiva do XVI Encontro Nacional de Combatentes.
"Coisas tão simples e merecidas" como a contagem de tempo passado na guerra para efeitos de reforma não tiveram resposta atempada por parte de governos com "falta de coragem", nas palavras de Alípio Tomé Pinto.
"É simples, é devido e se o não fazem é incompreensível", frisou o tenente general, citado pela agência Lusa.
"Esse tempo, que foi difícil e de luta, devia contar a dobrar ou a triplicar. Estranhamente, às vezes há dificuldades em reconhecer coisas tão simples, que são merecidas e são devidas. A questão das reformas é mais do que devida. Falta aos governos coragem. Às vezes, poderá haver algum complexo, mas há que enfrentar estas questões", afirmou o antigo combatente.
Se o país quer ter "um futuro rico", sublinhou Tomé Pinto, deve "orgulhar-se do passado, com os seus altos e os seus baixos". Em causa, assinalou o tenente general, estão os direitos dos cerca de 800 mil combatentes nas frentes de guerra em África e das respectivas famílias.
Nas cerimónias do XVI Encontro Nacional de Combatentes, que decorreram a par do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, estiveram presentes os representantes de associações de antigos militares, associações de operacionais no activo e dos três ramos das Forças Armadas.
Em Belém, a fadista Katia Guerreiro interpretou o Hino Nacional, num evento que incluiu uma exibição da Força Aérea Portuguesa.