"Tenha calma", frase que não se deve dizer num terramoto - psicóloga da Marinha

"Tenha calma", frase que não se deve dizer num terramoto - psicóloga da Marinha

Lisboa, 21 Nov (Lusa) - "Tenha calma" é a frase que não se deve dizer num cenário de sismo, segundo a psicóloga da Marinha, uma das entidades envolvidas no simulacro que hoje teve início nos Distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém.

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Em Porto Brandão, Almada, um dos locais abalado pelo simulacro de sismo e escolhido pelas autoridades para acompanhar o exercício, a psicóloga da Marinha Ana Mesquita explicou à agência Lusa o acompanhamento que se deve dar às vítimas num cenário de crise como o de um terramoto.

"A pior coisa que se deve dizer é `tenha calma`", afirmou Ana Mesquita, adiantando que o trabalho de um psicólogo passa essencialmente por prestar os socoros primários quando há ataques de ansiedade e de crise, gerir a informação e falar com os desalojados para se tentar perceber onde estão os familiares.

O cenário em Porto Brandão foi "catastrófico": casas soterradas, vários mortos e desaparecidos e feridos graves, tendo o salvamento das vítimas sido efectuado apenas pelas vias aéreas e marítimas.

De acordo com o comandante operacional distrital de Setúbal, Alcino Marques, estiveram envolvidos 200 operacionais, dos quais 102 eram da Marinha, 30 da Polícia Marítima e 80 dos Bombeiros de Almada, além de elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica e da GNR.

A acompanhar o exercício esteve o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, que destacou aos jornalistas a importância de o simulacro se realizar na região de Lisboa.

"É a capital política e administrativa, é onde se concentra um terço da população e é uma região estratégica na perspectiva económica", disse, adiantando que "o exercício é importante para validar" o Plano Especial de Emergência de Risco Sísmico para a Área Metropolitana de Lisboa, que se encontra em elaboração.

Rui Pereira sublinhou também que "todos os agentes da Protecção Civil têm de estar preparados" e que "a primeira resposta é decisiva para salvar vidas".

Segundo o ministro, o simulacto está a decorrer conforme o previsto.

Baseado no sismo histórico de 1909 em Benavente, o terramoto fictício "abalou" os Distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém às 15:50 de hoje.

A esta hora o Comando Operacional da Protecção Civil, em Carnaxide, ficou inoperacional e verificaram-se "graves deficiências no sistema de controlo e comunicação", tendo sido necessário deslocar todo o comando para a Base Nacional nº 1 de Sintra, disse o segundo comandante operacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil, José Codeço.

Denominado "Prociv IV/2008", o exercício vai mobilizar, até domingo, 2.750 elementos operacionais e 1.798 figurantes, dos quais 234 vão simular que estão mortos, 795 feridos e 769 desalojados.

Alenquer, Samora Correia, Porto Brandão, Vila Franca de Xira, Benavente, Seixal, Porto Alto, centro histórico de Almada, Sintra e Barreiro são algumas das localidades que terão edifícios em colapso e soterrados, deslizamento de terras, vias de acesso bloqueadas e incêndios urbanos e florestais devido ao "sismo" de magnitude 6.6/6.7.

CMP.

Lusa/Fim


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