Trabalhadores do Conta Lá pedem esclarecimentos sobre situação da empresa
O plenário de trabalhadores do projeto de media Conta Lá aprovou hoje um pedido de esclarecimento sobre a situação da empresa, já que os trabalhadores estão com dois meses de salários em atraso, disse hoje à Lusa fonte laboral.
De acordo com a mesma fonte, estiveram presentes no plenário "dois terços" dos trabalhadores, que neste momento rondam à volta de 100, dos quais cerca de 40 são jornalistas.
Os trabalhadores do projeto de media Conta Lá, que está disponível no cabo, estão quase há três meses sem receber salários e subsídios de férias. Ou seja, se em julho não forem pagos os salários, entram no terceiro mês de incumprimento.
Segundo a mesma fonte, os trabalhadores que ganhavam menos, cerca de 30, ainda receberam o salário em maio, mas sem subsídio de refeição.
Entretanto, antes do plenário, o presidente executivo (CEO) e jornalista, Sérgio Figueiredo, comunicou a sua saída e informou a convocação até final do mês de uma assembleia-geral de acionistas para aprovar o plano de reestruturação, segundo missiva a que Lusa teve acesso.
Num e-mail enviado esta manhã aos trabalhadores, antes do plenário, Sérgio Figueiredo avançou que "ainda este mês será convocada uma assembleia-geral de acionistas para aprovar o plano de reestruturação e nomear uma nova Comissão de Gestão, que passará a assumir a condução executiva do Conta Lá".
Num e-mail de 26 de junho, a que Lusa teve acesso, o CEO informou que o canal de televisão, que era transmitido no cabo desde o ano passado, iria recorrer à suspensão temporária dos contratos de trabalho ou redução do horário (`lay-off`), numa reestruturação para reduzir custos, perante um cenário de salários em atraso.
"Espero que, com a chegada de novos acionistas, surjam novos líderes, gente de energia renovada e enorme vontade de afirmar um projeto que, depois de religado, terá finalmente os meios que precisa para acelerar investimentos e cumprir o seu propósito -- na verdade, novos propósitos que ainda podem torná-lo maior do que foi sonhado", refere Sérgio Figueiredo.
"Esta Comissão Executiva, composta por Maurício Ribeiro, por Jorge Santos e por mim próprio, sai de cena no dia em que a assembleia-geral de acionistas aprovar este Plano e a Comissão de Gestão -- algo que, devido aos prazos legais e estatutários da empresa, deverá ocorrer no fim deste mês", sublinha Sérgio Figueiredo, que assume a parte de responsabilidade "nesta hora de tremenda frustração", que classifica "quase tão pesada quanto a desilusão" que provoca nos trabalhadores.
Em 03 de julho, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou inaceitável que o Conta Lá não estivesse a assegurar o vencimento de todos os trabalhadores e pediu uma posição clara e transparente da empresa.
A estrutura sindical pediu com urgência uma posição clara e transparente da empresa para com os seus trabalhadores e considerou ser inaceitável que o Conta Lá não esteja a cumprir com a obrigação básica de assegurar os vencimentos.
O Conta Lá é um canal de televisão por cabo, com uma programação direcionada para as regiões e jornalismo de proximidade.
Há quase um ano, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) autorizou atividade dos canais Conta Lá Sul, Conta Lá Centro e Conta Lá Norte e ainda do Conta Lá Rural, do projeto liderado por Sérgio Figueiredo, o qual previa a criação de 205 postos de trabalho, sendo 133 afetos à área de informação, 28 na área de programas e produtora e os restantes 44 em áreas de apoio técnico, gestão, RH, financeiro, comercial e jurídico.
Profissionais que seriam distribuídos de forma estratégica por áreas profissionais e localizações geográficas [de norte a sul do país, incluindo ilhas, com vários polos regionais], assegurando, assim, uma cobertura operacional eficiente e descentralizada.
Em agosto, a Lusa noticiava que Ana Sofia Vinhas regressava ao jornalismo 17 anos depois, com o novo projeto Conta Lá e que iria integrar a operação especial autárquicas.