Transfusões de sangue - Testemunhas Jeová discordam do parecer
A Associação das Famílias de Testemunhas de Jeová discorda do parecer oficial que atribui aos médicos e não aos pais a decisão sobre as transfusões de sangue no caso de menores, mas diz respeitar a lei.
Segundo o responsável do gabinete dos assuntos públicos da associação, José Paiva, o parecer hoje divulgado pelo Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) apenas "põe por escrito algo que já está a ser feito pelos médicos em todo o país".
O parecer adianta que as crianças que necessitem de uma transfusão de sangue devem recebê-la mesmo que os pais se oponham a este tratamento por motivos religiosos, nem que para tal seja necessária a intervenção do Tribunal de Menores.
Enquanto que no caso dos adultos o CNECV recomenda que o médico respeite a sua recusa em receber sangue e seus derivados quando o receptor seja Testemunha de Jeová, desde que manifeste de um "modo expresso e livre", no caso dos menores os médicos têm de decidir por eles.
José Paiva adiantou à agência Lusa as Testemunhas de Jeová "prezam muito a classe médica" e assegurou que vão continuar a recorrer aos hospitais em caso de necessidade.
Apelou, ainda, para que os médicos compreendam as crenças desta confissão religiosa e, se possível, que recorram a tratamentos que não impliquem a transfusão de sangue.
O responsável do gabinete de assuntos públicos, que também é médico, adiantou que as Testemunhas de Jeová foram ouvidas pela CNECV, com quem mantêm "boas relações", antes da emissão do parecer, José Paiva manifestou-se convicto que o parecer do CNECV "em nada altera a posição" das Testemunhas de Jeová, mas admitiu que vão acatar as eventuais decisões judiciais relativas a menores.