País
Transportes públicos gratuitos a partir de hoje na cidade do Porto
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, admitiu hoje que a gratuitidade dos transportes públicos não será a "bala de prata" para resolver a mobilidade no município, mas dá legitimidade para tomar medidas mais restritivas do automóvel.
Foto: Jorge Carmona - Antena 1
Quanto ao trânsito, a expectativa "não é que tenha um efeito imediato de transformação", mas o autarca referiu que quer "começar a mudar" o paradigma."Temos uma ideia de cidade que aposta na qualidade de vida, no bem-estar individual de cada um e no bem-estar de nós enquanto comunidade, e para isso nós não podemos ter uma cidade que é composta por automóveis parados no trânsito. Isso é a antítese do bem-estar", considerou.
O objetivo é que "o espaço público seja usufruído pelas pessoas", evitando estar "a buzinar" e "a bufar" dentro dos carros pelo tempo perdido no trânsito.
Além de mencionar a intenção de aumentar as faixas BUS no concelho em seis quilómetros até ao final do ano, para um total de 22, o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL disse que agora vai "poder tomar algumas medidas que, em certo sentido, não sejam tão simpáticas ou tão amigas do automóvel, tendo agora uma legitimidade acrescida, é que a Câmara está a oferecer transportes gratuitos a quem precisar".
Questionado também sobre o alcance desta medida para a Área Metropolitana do Porto (AMP), uma vez que apenas os residentes na cidade poderão beneficiar da gratuitidade, Pedro Duarte, que é presidente da AMP, disse que não pode "tomar decisões em nome dos outros presidentes de Câmara".
"Para termos uma estratégia metropolitana de transportes e de mobilidade é muito importante que todos adiram a esta ideia de que devem apostar no transporte público. A forma como o fazem, isso compete a cada um. Nós aqui no Porto estamos de facto a ir se calhar mais longe do que qualquer outro", reconheceu.
Porém, quanto a esta medida, "tomá-la em termos metropolitanos" não é possível, disse, reiterando que defende "que o país devia evoluir para um modelo diferente" com "um nível de poder político entre o poder autárquico e o poder central". "Se tivéssemos, se calhar poderíamos ser mais ambiciosos nesta matéria. Enquanto não podemos, acho que o Porto pode servir como um piloto, uma semente que vai dar frutos e depois talvez os outros percebam que é uma medida que vale a pena também assumirem", afirmou.
Quanto à sustentabilidade financeira da medida, Pedro Duarte disse acreditar que os 20 a 25 milhões de euros estimados serão suficientes, mas admitiu, no futuro, subir a taxa turística para "os valores de Lisboa", ou seja, de três para quatro euros.
Já sobre se o dinheiro não será necessário para eventuais futuros investimentos na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Pedro Duarte afirmou que há um plano a 10 anos que já estava previsto antes desta medida.
"Esse plano é ambicioso e, portanto, perspetiva já um crescimento significativo de autocarros. Até porque, às vezes, há um pouco esta confusão, não é necessariamente através de mais autocarros que se vai resolver um problema de maior procura, porque depois os autocarros ficam eles próprios parados no trânsito", disse.