Traseiras do "jardim" de Jardim têm condições deploráveis, diz BE
O dirigente do Bloco de Esquerda Miguel Portas disse hoje, em Câmara de Lobos, que, nas traseiras do "jardim" (Madeira) de Alberto João Jardim, "continuam a existir situações deploráveis de vida".
Essas condições persistem, disse, apesar de a propaganda dos números das estatísticas indicar o arquipélago como a segunda região mais rica do país.
No âmbito de uma acção de campanha para as eleições legislativas regionais de 17 de Outubro, o dirigente do BE, acompanhado pela número dois da lista desta força política, Violante Matos, visitou hoje o bairro das Malvinas, no concelho de Câmara de Lobos, onde cerca de um milhar de pessoas vive ao lado de lixeiras, toxicodependência e exploração sexual em edifícios degradados.
"Esta é a prova viva de que o sucesso da Madeira, o +jardim+ da Madeira tem disto. Nas costas do +jardim+ há isto", disse, ao mostrar as condições ambientais de um bairro cujo espaço público se encontra em acentuada degradação e ao denunciar que o PIB da Madeira, acima dos 80 por cento, não expressa a realidade regional e que só atinge esses valores pelo contributo da Zona Franca.
"O PIB sobe porque há aqui um off-shore, uma fábrica de lavagem de dinheiro e de fuga aos impostos", acrescentou.
"As traseiras deste "jardim" são traseiras deploráveis, de lixo, de toxicodependência, de problemas de exploração sexual, são todos os problemas acumulados que decorrem das pessoas viverem em sítios ou em bairros que cada dia estão um bocadinho pior do que no dia anterior", realçou.
"Com menos dois túneis, com menos duas auto-estradas já chegava e sobrava para atacar alguns destes problemas", afirmou Miguel Portas numa alusão à política de construção de infra-estruturas públicas do Governo Regional.
"O problema é que existem muitas bolsas destas na Madeira e, portanto, é preciso coragem política para dizer que, na Região, a prioridade número um continua a ser tratar da pobreza", concluiu.