Tribunal adia início julgamento de hipnoterapeuta que alegadamente abusou de jovem que hipnotizou
Porto, 03 Abr (Lusa) - O Tribunal de S. João Novo, Porto, adiou hoje para 05 de Junho o início do julgamento do hipnoterapeuta que, alegadamente, abusou sexualmente de uma jovem que hipnotizou.
O adiamento do julgamento, que vai decorrer à porta fechada por se tratar de um crime sexual, ficou a dever-se ao facto do Tribunal ter determinado a realização de exames médicos ao arguido.
A advogada da vítima, Ana Maria Feijó, afirmou que o tribunal determinou que o hipnoterapeuta seja sujeito a exames médicos nas áreas da psicologia, cirurgia vascular e urologia.
Segundo uma funcionária judicial, na primeira sessão do julgamento será ouvido apenas o arguido, enquanto dia 19 de Junho ficou já marcado para a audição da vítima.
O arguido é acusado pelo Ministério Público de um crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, arriscando uma pena de dois a dez anos de prisão.
O caso remonta a 29 de Julho de 2006, quando uma jovem de Penafiel que sofria de depressão e dismorfofobia, ou seja, fobia de deformação física, foi a uma consulta a um hipnoterapeuta do Porto.
A jovem, seguida em consultas de Psicologia do Hospital Padre Américo, em Penafiel, chegou a estar internada naquela unidade, em meados de 2006.
A meio desse internamento a jovem foi autorizada a passar um fim-de-semana em casa, altura em que a mãe a convenceu a recorrer a uma consulta de hipnoterapia.
A consulta seguiu as técnicas clássicas de hipnose, incluindo uma identificação das patologias da jovem.
O alegado abusador terá então sugerido à vítima que se imaginasse numa praia com um rapaz de que gostasse e disse-lhe mesmo que indicasse o seu nome.
O MP diz que o arguido se aproveitou do estado hipnótico da jovem, fazendo-lhe crer que era o rapaz que ela nomeara e convencendo-a, nessa falsa qualidade, à prática de acto sexual de relevo.
Segundo a acusação, a jovem só percebeu o que lhe aconteceu - e que viria a ser comprovado em testes médico-legais - quando o arguido lhe disse que era casado e que iria deixar a esposa.