Tribunal anula detenções fora de flagrante delito de suspeitos de rapto, extorsão e roubo
O Tribunal de Loures anulou as detenções fora de flagrante delito e determinou a libertação dos três suspeitos detidos na Lourinhã por rapto, extorsão, roubo e ofensas à integridade física, em Torres Vedras e em Leiria.
Após o primeiro interrogatório judicial, o Tribunal de Loures "não validou a detenção dos arguidos, determinou a sua imediata libertação, mantendo-os sujeitos à medida de coação de Termo de Identidade e Residência já prestada", informou o tribunal.
Os suspeitos, um homem e duas mulheres, tinham sido detidos pela Polícia Judiciária fora de flagrante delito.
O juiz de Instrução Criminal não só declarou nulos os mandados de detenção fora de flagrante delito emitidos, bem como o despacho do Ministério Público que determinou a respetiva emissão, "por deles constar a referência à prática de um crime de homicídio qualificado, na forma tentada, crime que, segundo o despacho judicial, não se encontra em apreciação" neste processo, é explicado.
O tribunal validou as apreensões efetuadas no âmbito do processo, "por considerar que as mesmas foram realizadas nos termos legais" e determinou que o processo seja devolvido ao Ministério Público.
Na terça-feira, a Polícia Judiciária anunciou, em comunicado, a detenção de três pessoas na Lourinhã por suspeitas de rapto, extorsão, roubo e ofensas à integridade física, em Torres Vedras e em Leiria.
A PJ explicou que o caso aconteceu em dezembro de 2024, quando uma pessoa foi atraída para uma falsa promessa de trabalho, numa casa na zona de Torres Vedras, por duas mulheres e um homem com idades entre os 29 e os 37 anos.
Nesse local, a vítima "foi surpreendida por um grupo de quatro pessoas, que durante cerca de três horas a ameaçaram, privando-a de liberdade, exigindo ainda à sua família o pagamento de uma quantia de 40 mil euros, resultante de uma suposta dívida, por serviços de construção civil anteriormente não executados".
Já em abril de 2026, os suspeitos agora detidos no âmbito da `Operação Ellen`, da Unidade Nacional Contraterrorismo, foram até à casa da vítima, na zona de Leiria, numa "nova e particularmente grave incursão criminosa", descreveu a PJ.
Os detidos invadiram a casa da vítima, tendo a Polícia Judiciária acrescentado que tanto a vítima como a sua mulher foram alvo de agressões graves e ameaças num contexto de violência extrema.
"Sob forte coação, [as vítimas] foram ainda compelidas a realizar transferências bancárias no valor global de cerca de 16 mil euros", lê-se no comunicado.