Tribunal de Lousada leva único arguido a julgamento
O Tribunal de Lousada anunciou esta manhã que Afonso Dias, o único arguido do processo, irá a julgamento acusado do rapto de Rui Pedro, criança que desapareceu no dia 4 de março de 1998. Desta forma foram atendidos pelo juiz os argumentos apresentados pelo advogado dos pais da criança no debate instrutório do passado dia 26 de maio.
O juiz Moreira Santos pronunciou Afonso Dias, o único arguido do processo, pelo crime de rapto qualificado.
A decisão do juiz Moreira Santos levou em conta os argumentos do advogado dos pais do menino durante o debate instrutório que teve lugar no passado dia 26 de maio, dia em que o advogado da família de Rui Pedro defendeu que o processo deveria evoluir para julgamento.
Hoje o juiz confirmou a tese de Ricardo Sá Fernandes que considerou que a prova da acusação pública, baseada em dezenas de testemunhos, é "sólida e coerente" e por isso justificava que o processo fosse levado a julgamento.
Ainda nesse dia o advogado destacou os depoimentos, dias depois do desaparecimento, de cinco crianças que dizem ter visto naquele dia o arguido com Rui Pedro tendo mesmo algumas dessas crianças admitido que viram Rui Pedro entrar no automóvel de Afonso Dias que então tinha 21 anos.
Importante o depoimento de uma prostituta
Ricardo Sá Fernandes sublinhou ainda o depoimento de uma prostituta, segundo a qual Rui Pedro terá estado com ela na zona de Lustosa na tarde daquele dia, transportado para o local por um adulto.
Por terra ficou a tese do advogado de defesa, Paulo Gomes, que sustentou que a acusação "se baseia em provas ténues", considerando "inútil" que o processo evolua por ser "mais provável a absolvição".
O advogado procurou apontar o que considerou terem sido "contradições e discrepâncias" de horários nos depoimentos das crianças, algo que hoje ficou a saber-se foi desvalorizado pelo juiz Moreira Santos.
A acusação do caso Rui Pedro foi deduzida em 11 de fevereiro deste ano, nela se sustentando a "forte probabilidade" de Afonso Dias ter conduzido o menor, ao princípio da tarde, para um encontro sexual com prostitutas, na zona da Lustosa, Lousada.
Depois disso, Rui Pedro nunca mais foi visto, apesar de diligências que se estenderam pelo estrangeiro e contaram com a colaboração da Interpol.
Despertar de uma nova esperança
A mãe de Rui Pedro esteve no Tribunal e à saída referiu que a pronúncia do homem acusado do rapto do seu filho é o "despertar de uma nova esperança" pelo que "espero que a justiça possa descobrir o que aconteceu ao nosso filho".
Filomena Dias estava acompanhada do pai de Rui Pedro e do seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, referiu ainda esperar que "durante o julgamento possam surgir novas provas" já que o despacho do juiz de instrução concluiu haver "indícios e sinais objetivos" da prática de um crime de rapto qualificado.