Tribunal ouve três alegadas vítimas do "gang" do Minho
O Tribunal de Famalicão ouviu hoje quatro testemunhas do julgamento do "gang do Minho", três das quais contaram ter visto as suas lojas assaltadas ou os seus carros roubados pelo grupo em 2004.
Segundo a acusação, os 14 homens protagonizaram, em apenas um mês, uma onda de assaltos que aterrorizou a zona norte, tendo actuado em Cerveira, Valença, Monção, Melgaço, Viana, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Vila Verde, Barcelos, Gondomar e Vila Nova de Famalicão.
No julgamento que hoje começou, os 14 arguidos, que são acusados de 184 crimes, não quiseram pronunciar-se sobre o teor da acusação.
O colectivo de juízes ouviu depois um homem a quem o grupo terá roubado um automóvel de marca Audi, na zona de Famalicão.
A testemunha contou ter sido abalroada por um grupo de três assaltantes, que o ameaçou com uma caçadeira e lhe levou o automóvel.
A segunda testemunha - a quem foi roubada uma viatura da marca Porsche - pediu para depor na ausência dos arguidos, o que levou o presidente do colectivo de juízes, José Manuel Flores, a propor que ficasse determinado quais as testemunhas que aceitam ou não falar na presença dos réus.
A medida visava tornar mais célere o julgamento, já que, de cada vez que os arguidos têm de sair da sala, é necessário algemá-los e levá-los acompanhados de guardas prisionais.
Um dos advogados de defesa opôs-se à proposta do colectivo, pelo que o julgamento prosseguiu com a audição de um ourives de Vila Nova de Cerveira, que explicou o modo como a montra da sua loja foi arrombada e os relógios e peças em ouro roubados.
A quarta testemunha, um vigilante do Hospital de Cerveira, contou ter visto um grupo de assaltantes deitar num contentor do lixo a caixa registadora roubada na ourivesaria.
A sessão, que decorreu com fortes medidas de segurança e com o acesso à sala de audiências limitado apenas a alguns familiares, prossegue à tarde com a audição das restantes 26 testemunhas arroladas no processo.
Segundo a acusação, o "gang" actuava em grupos de cinco indivíduos, sempre encapuzados e armados com caçadeiras, com as quais chegaram a disparar sobre civis e sobre a GNR e a PSP.
A vaga de assaltos terá começado a 5 de Abril de 2004, em Famalicão, e terminou com a detenção, pela PJ, de vários dos seus membros, numa rua do Porto, no dia 30 do mesmo mês.
Os elementos do "gang" são oriundos das zonas de Gondomar, Valongo e Santa Maria da Feira, vários tinham já cadastro policial, estavam desempregados ou tinham profissão "desconhecida".
A acusação salienta que os roubos do bando resultaram em prejuízos superiores a 500 mil euros para os comerciantes lesados e para a GNR, que viu algumas viaturas atingidas a tiro, sendo os arguidos acusados de crimes de roubo, homicídio tentado, furto qualificado, incêndio, receptação e resistência à autoridade.
Dos 14 arguidos, um está ainda em parte incerta, nove estão presos preventivamente, dois em regime de pulseira electrónica e dois com Termo de Identidade e Residência.
Para além deste bando, o Ministério Público do Tribunal de Barcelos tem, em fase de acusação, um outro processo envolvendo um segundo "gang do Minho", desmantelado pela PJ/Braga, com nove membros, um deles o receptador, e que protagonizou dezenas de assaltos no começo de 2004 em Braga e Viana do Castelo.
Os arguidos foram detidos em Braga, Vila Verde, Póvoa de Lanhoso, Famalicão e Trofa.