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Universidade de Lisboa cria genoma de referência para preservar o priolo nos Açores
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa desenvolveu o primeiro genoma de referência do priolo, uma ave endémica e rara dos Açores, com o objetivo de reforçar as estratégias de conservação da espécie.
O trabalho, conduzido pelo Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), pretende melhorar o conhecimento científico sobre o priolo (Pyrrhula murina), considerada uma das aves mais raras da Europa e atualmente classificada como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
“Esta ferramenta vai orientar a análise da informação genética que temos recolhido ao longo das últimas duas décadas, permitindo monitorizar a diversidade genética da população ao longo do tempo”, explicou o coordenador do estudo, Ricardo Jorge Lopes, citado em comunicado.
O investigador acrescenta que o trabalho permitirá também “compreender os processos históricos de declínio populacional e isolamento que levaram à atual reduzida variabilidade genética da espécie”.
Foto: Pedro Monteiro / www.centropriolo.com/o-priolo
Endémico da ilha de São Miguel, o priolo habita sobretudo áreas de floresta de Laurissilva na zona oriental da ilha. A espécie chegou a ser considerada praticamente extinta no início do século XX, devido à destruição do seu habitat, tendo registado uma recuperação recente, embora continue em risco.
Segundo Ricardo Jorge Lopes, o novo recurso genómico “assume um papel crucial” para aprofundar o conhecimento e a conservação da espécie.
“A longo prazo vai apoiar estratégias de gestão mais eficazes, quer da espécie, quer do restauro do habitat”, afirmou, referindo o envolvimento da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) Açores e do Governo Regional dos Açores.
Apesar de se estimar a existência de cerca de mil indivíduos, os investigadores alertam para a reduzida diversidade genética da população, um fator que pode comprometer a sobrevivência futura do priolo.
A reconstrução detalhada do genoma, organizada cromossoma a cromossoma, abre novas possibilidades para compreender a evolução da espécie e apoiar a sua preservação a longo prazo.
O estudo, publicado na plataforma Open Research Europe, utilizou amostras de sangue de uma fêmea adulta conservadas no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.
O projeto integra a iniciativa European Reference Genome Atlas (ERGA) e foi cofinanciado pelo programa europeu Biodiversity Genomics Europe (BGE), dedicado à criação de uma biblioteca genética da biodiversidade europeia.
c/Lusa