Urgência Hospital S.Bernardo vai dar prioridade a doentes mais graves

Urgência Hospital S.Bernardo vai dar prioridade a doentes mais graves

O Hospital São Bernardo (HSB), em Setúbal, pretende aplicar no prazo de seis meses o protocolo de Manchester nas urgências, o que significa que os doentes mais graves passarão a ser atendidos prioritariamente.

Agência LUSA /

Segundo António Xavier, director do serviço de urgência, o protocolo de Manchester na urgência e a instalação de uma unidade de cuidados continuados agregada àquele serviço constituem "passos importantes para a apresentação de uma candidatura ao processo de acreditação do serviço de urgência em 2006, de acordo com as normas europeias, que deverão revistas e publicadas até final do próximo mês de Maio".

O protocolo de triagem de Manchester prevê o atendimento de doentes de acordo com a gravidade dos problemas que apresentam, mediante a atribuição de uma senha vermelha, laranja, amarela, verde ou azul, e não pela ordem de chegada ao hospital Na triagem será atribuída uma senha vermelha aos doentes em situação de emergência, que serão atendidos de imediato, uma senha laranja para os casos muito urgentes, que deverão ser atendidos no espaço de 10 minutos, senha amarela para doentes urgentes, com um máximo de 30 minutos de espera, e senha verde para situações de menor gravidade, com um período de atendimento até duas horas. Os doentes não urgentes, a quem será atribuída uma senha azul, poderão ter de esperar pelo atendimento mais de quatro ou cinco horas.

A aplicação do protocolo de Manchester deverá melhorar a capacidade de resposta do HSB ao grande afluxo de doentes, que recorrem à urgência devido à falta de respostas por parte dos centros de saúde, considera António Xavier.

A unidade de cuidados continuados, agregada ao serviço de urgência, será constituída por três ou quatro equipas móveis que vão dar apoio domiciliário a doentes dependentes, a partir do momento em que deixam de precisar de cuidados hospitalares.

"O nosso objectivo é constituir três ou quatro unidades móveis, cada uma com três ou quatro elementos, para dar apoio domiciliário aos dependentes num período de transição, que é normalmente de oito ou dez dias, até que os familiares ou outras instituições que prestam este tipo de serviço (misericórdias), estejam em condições de o fazer", disse António Xavier.

"Trata-se de um serviço que tem muita procura, mas não queremos fazer concorrência às misericórdias", assegurou António Xavier, salientando que o objectivo é "dar o apoio necessário a doentes dependentes e formação aos familiares, reduzindo o tempo em que permaneciam no hospital sem necessitar de cuidados hospitalares".

De acordo com o responsável do serviço de urgência, o HSB propõe-se recrutar desempregados de longa duração para as equipas de cuidados continuados - em colaboração com o Centro de Emprego de Setúbal - que serão formadas pelos profissionais de saúde do hospital.

Além das alterações que pretende introduzir no serviço de urgência, o Conselho de Administração do HSB está também a requalificar a Unidade de Doentes de Evolução Prolongada (UDEP), que funciona no antigo Albergue Distrital de Polícia, uma quinta com cerca de cinco mil metros quadrados situada na estrada entre Setúbal e Azeitão.

Trata-se de um unidade com 39 doentes do foro psiquiátrico que pertencia ao antigo Centro de Saúde mental de Setúbal, mas que foi integrada no Hospital São Bernardo em 1992.

Nos últimos anos, o HSB investiu mais de 50 mil euros na requalificação dos imóveis e dos níveis de conforto dos doentes, mas o presidente do Conselho de Administração, Reis de Oliveira, reconhece que ainda há muito por fazer.

"Precisamos de investir pelo menos mais 50 mil euros", disse Reis de Oliveira, afirmando-se esperançado no apoio financeiro do governo para a valorização daquela unidade de saúde para doentes do foro psiquiátrico.

PUB