Valentim Loureiro, ou a história de um autarca que "tem controlo absoluto sobre o voto" (C/ Foto)

Porto, 09 Out (Lusa) - Tal como Midas convertia em ouro tudo em que tocava, também Valentim Loureiro faz com que tudo renda votos, defende o ex-assessor do autarca, Nuno Nogueira Santos, num livro a lançar terça-feira.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O major "tem controlo absoluto sobre o voto", afirmou hoje à agência Lusa o autor de e "A Varinha Mágica de Valentim Loureiro - Méritos, truques e habilidades políticas", uma obra editada pela Prime Books.

Uma parte do livro é dedicada a histórias pequenas, que "demonstram capacidade do major para transformar tudo o que toca em vantagem para si próprio em termos eleitorais", acrescentou.

O autor cita, como exemplo, dessa "habilidade única" um episódio em que Valentim Loureiro, a contragosto, recebeu três galinhas. Perante o problema de as oferecer a alguém acabou por optar por conseguir mais sete e fazer um repasto que lhe "rendeu" um adicional de simpatia política.

Noutra parte do livro daquele que foi assessor de Valentim Loureiro ao longo dos três mais controversos da sua vida política, sucedem-se algumas reflexões sobre a forma como as vitórias de autarcas ditos populistas foram interpretadas.

"Sempre pensei que depois das vitórias nas autárquicas de 2005 de Valentim Loureiro, Isaltino Morais e Fátima Felgueiras, os partidos políticos procurassem saber das razões do eleitorado. Em vez disso, apenas tem procurado que eles não voltem a ser candidatos", afirma o autor no seu livro.

Nuno Nogueira Santos recordou ainda que nessas eleições os partidos políticos que concorreram contra Valentim Loureiro em Gondomar "tiveram os piores resultados de sempre" porque "foram totalmente incompetentes".

O ex-assessor recusa para Valentim o rótulo de cacique - "é preciso ver primeiro o que é isso" - mas admite que tem "muitos pecados políticos".

"Só que identifico isso em todo os políticos", enfatiza.

No livro, o autor descreve o cenário de envolvimento de Valentim Loureiro com a Justiça, aborda a forma com lidou com inspectores da Polícia Judiciária e refere que, tal como na história das galinhas, "consegue que situações negativas revertam em vantagem eleitoral".

Alheia-se, contudo, de aspectos concretos do processo "Apito Dourado" porque, afirma, é "má testemunha".

A obra, de 200 páginas, aborda ainda as relações com major com José Sócrates, Mário Soares e Cavaco Silva, os seus desentendimentos com jornalistas, as suas famosas "cunhas" e "tachos".

São referidas igualmente a luta contra Marques Mendes e a campanha eleitoral da lista independente de Valentim Loureiro nas Autárquicas de 2005, que o tornaram, a 09 de Outubro de 2005, no presidente com maior número de vereadores em Portugal.

Assegurando, logo nas primeiras páginas, que a sua obra não resulta de qualquer "encomenda" do autarca nem foi previamente lida pelo major, Nuno Nogueira Santos diz-se "autor de um exercício de liberdade de expressão.

Apesar da imagem dominante que passa no livro, o ex-assessor de Valentim Loureiro, afirma, já na parte final da sua obra, que o tempo político do major "está a acabar".

"Para o major, as próximas eleições ainda não estão ganhas", acrescenta o autor de "A Varinha Mágica de Valentim Loureiro.

O prefácio do livro é de Jorge Morgado, o ex-jornalista que em 1993 escreveu acerca da alegada distribuição de electrodomésticos pelo major em campanha eleitoral autárquica.

"A Varinha Mágica de Valentim Loureiro" é lançado na próxima terça-feira, ás 19:00, na Livraria Bertrand da Rua Júlio Diniz, no Porto.

JGJ.


PUB