"Verdes" questionam Câmara sobre salários em atraso
O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) questionou o executivo da Câmara de Lisboa sobre o atraso no pagamento de salários a funcionários municipais e a decisão da autarquia de encerrar alguns espaços culturais aos sábados.
Num requerimento entregue quarta-feira à Assembleia Municipal de Lisboa (AML), o deputado municipal do PEV José Luís Antunes afirma que "cerca de 50 funcionários a recibos vedes do departamento de bibliotecas e arquivos da Câmara não recebem ordenado desde Dezembro".
Segundo os "Verdes", estes funcionários estão a substituir os trabalhadores dos quadros que "deixaram de executar as horas extraordinárias, também por falta de pagamento" do trabalho suplementar.
No requerimento entregue à AML, o PEV questiona "por que razão é já frequente repetir-se a situação de pagamentos em atraso, quer dos contratados a recibos verdes, quer de alguns funcionários do quadro, nas bibliotecas municipais, no início de todos os anos".
Por outro lado, o deputado municipal adianta que a Câmara de Lisboa pretende encerrar algumas bibliotecas aos sábados, nomeadamente a Biblioteca Museu República e Resistência e a Videoteca, "alegando `optimização de recursos` e `esforço de contenção`", questionando a autarquia sobre os dados de que dispõe sobre as visitas a estes espaços aos fins-de-semana.
O assunto já tinha sido alvo de uma moção do PEV, apresentada na AML na terça-feira, e que foi rejeitada pela maioria de direita.
Na altura, o vice-presidente da câmara lisboeta, Carlos Fontão de Carvalho (PSD), negou que os trabalhadores municipais tenham salários em atraso, referindo que a falta de pagamento dos ordenados aconteceu "pontualmente", devido a "atrasos na renovação dos contratos de prestação de serviços".
A questão do encerramento de espaços culturais aos sábados foi discutida quarta-feira em reunião pública da Câmara Municipal, altura em que o vereador da Cultura, José Amaral Lopes, afirmou que a decisão "não decorre de um capricho".
Segundo o responsável, a Biblioteca Orlando Ribeiro tem, ao sábado, uma média de 715 visitantes e 210 consultas e empréstimos, enquanto a Biblioteca Museu República e Resistência recebe 263 visitas e regista apenas três empréstimos.
Amaral Lopes sublinhou que "não é aceitável que a Câmara de Lisboa assegure um funcionamento considerado de serviço público com o pagamento de horas extraordinárias".