Vereadores do PS querem explicações sobre Estádio Sérgio Conceição
Os vereadores socialistas na Câmara de Coimbra anunciaram hoje ter feito um requerimento dirigido ao presidente da autarquia, no qual exigem esclarecimentos sobre o Estádio Sérgio Conceição, que consideram um "verdadeiro elefante branco".
Os autarcas do PS querem saber, no prazo de duas semanas, se os terrenos onde foi construído o Estádio Sérgio Conceição, na freguesia de Taveiro e inaugurado há mais de dois anos, pertencem à Câmara Municipal de Coimbra.
"Será que o terreno onde está implantado pertence à Câmara Municipal? Caso tal não se verifique, como será possível que a Câmara tenha gasto mais de 700.000 contos (3,5 milhões de euros) num terreno de que pode não ser proprietária?", questionam num documento sobre o "Estado Actual do Desporto em Coimbra", também hoje divulgado em conferência de imprensa.
Segundo o vereador Luís Vilar, já foram apresentados pelo menos dois requerimentos sobre esta matéria ao presidente da Câmara, o social-democrata Carlos Encarnação, mas, como resposta, os autarcas do PS dizem ter recebido "apenas um dossier" e continuam a desconhecer os valores envolvidos na infra-estrutura, que acolheu o primeiro jogo há cerca de dois anos.
Caso não recebam resposta num "prazo considerado útil", tencionam enviar o requerimento para a IGAT (Inspecção-Geral da Administração do Território).
Em declarações à Agência Lusa, a vereadora do Desporto, Teresa Violante, adiantou que não lhe parece existirem "grandes questões" relacionadas com a titularidade dos referidos terrenos, garantindo que os autarcas socialistas terão acesso a toda a documentação pretendida.
O documento sobre a situação do Desporto em Coimbra, lido pelo vereador António Rochette, sustenta que não existe um projecto para o sector da actual maioria camarária, "o que existe é um conjunto de medidas avulso, efectuadas de modo aleatório".
Os vereadores socialistas alertam para a "realidade financeira assustadora da maioria dos clubes do concelho" e criticam ainda a aplicação do Regulamento Desportivo Municipal e a "má gestão" do processo relativo ao "negócio do Eurostadium para a construção das piscinas".
Admitindo "alguns problemas financeiros", Teresa Violante sublinhou, contudo, que a Câmara tem cumprido o seu dever e observou ainda que a atribuição de subsídios se encontra regulamentada e é feita segundo critérios de "justiça e equidade".
"Como é possível que se tenha feito um acordo no âmbito do famoso negócio do Eurostadium para a construção das piscinas e, na realidade, o que a Câmara recebeu foram os +caboucos+ de piscinas onde a Câmara teve posteriormente de gastar mais de 750.000 contos (3,7 milhões de euros) para as concluir?", questionam ainda os autarcas do PS no documento.
De acordo com Luís Vilar, esta foi a primeira de um ciclo de conferências de imprensa que deverão ter uma periodicidade mensal e abordar temáticas variadas, na sequência da deliberação camarária de as reuniões do Executivo passarem de semanais para quinzenais.
Na ocasião, o edil socialista adiantou ainda que PS vai verificar se as transferências mensais da administração central destinadas a investimento não estão a ser usadas para pagamentos aos funcionários, em virtude do elevado montante da dívida de curto prazo da autarquia, da ordem dos 30 milhões de euros.