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Violência doméstica. PGR garante esforço para evitar mortes, mas há "situações inevitáveis"
Desde o início do ano morreram quatro crianças em contexto de violência doméstica, tantas como em todo o ano de 2022, o mais mortal para menores desde 2019.
O procurador-geral da República (PGR) garante que tem sido feito um esforço para evitar que morram adultos e crianças em contexto de violência doméstica, mas avisou que "há situações que são inevitáveis".
"São situações que acontecem de um momento para o outro e que ninguém espera. São situações inevitáveis. Uma briga, um problema, uma indisposição, uma discussão pode gerar todas essas circunstâncias", afirmou Amadeu Guerra esta segunda-feira, à margem de um encontro em Lisboa da RedCoop, uma rede ibero-americana de cooperação entre Ministérios Públicos.O PGR considerou, ainda assim, que o Ministério Público tem feito "um esforço muito grande" no combate à violência doméstica, quer em termos de prevenção, em coordenação com outras entidades como as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, quer ao nível da formação especializada de magistrados.
A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, destacou igualmente que tem sido feito um trabalho para fomentar a partilha de informação entre entidades, acrescentando que espera que a Equipa de Análise Retrospetiva do Homicídio em Violência Doméstica (ERHVD) possa debruçar-se sobre as quatro mortes de crianças ocorridas desde o início do ano no seio familiar.
"Espero que a equipa possa olhar também para estes casos, perceber o que é que podemos retirar daqui e o que é que podemos fazer para prevenir", apelou, em declarações à margem do mesmo evento.
As declarações de Amadeu Guerra e de Rita Júdice foram feitas depois de o Jornal de Notícias net noticiado que, desde o início do ano, morreram quatro crianças em contexto de violência doméstica, tantas como em todo o ano de 2022, o mais mortal para menores desde 2019.
O caso mais recente aconteceu no domingo, quando um homem de 33 anos, com antecedentes de violência doméstica, saltou de um oitavo andar em Santarém com a filha de quatro anos ao colo após uma discussão, tendo ambos morrido.
c/Lusa