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Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

"Virão momentos mais difíceis que vão obrigar a ajustamentos", avisa Teixeira dos Santos

"Virão momentos mais difíceis que vão obrigar a ajustamentos", avisa Teixeira dos Santos

O antigo ministro das Finanças não prevê aquilo a que chama de "grave crise económica".

Frederico Moreno /
Ao analisar a previsão do Banco de Portugal (BdP), inscrita no boletim económico de março, Teixeira dos Santos afirma no programa da Antena 1 Consulta Pública, que "a previsão do BdP, não podemos dizer que é um cenário de uma grave crise económica". No entanto avisa que "virão momentos mais difíceis que vão obrigar a ajustamentos".

António Alvarenga estima "um perigo de subida da inflação. É quase inevitável". O professor da Nova SBE, na área da Estratégia e Cenários, acredita que "no futuro, estamos expostos a uma política do BCE mais conservadora com impacto no crescimento económico e do investimento".

"A politica económica tem de agir", defende Óscar Afonso. O diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto antecipa que "mesmo com o aumento das renováveis e das barragens hidroelétricas, os preços da energia serão sempre elevados".

Para já os distribuidores de bens essenciais não aumentaram os preços devido à guerra no Irão. No entanto Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, alerta para o facto de "toda a cadeia de valor vai ser contaminada pelo aumento dos custos de energia". E dá um exemplo: "há alguns produtos hortofrutícolas são os primeiros a refletirem este aumento de preço".

Perante isso, Natália Nunes, a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da DECO, defende ajudas para as famílias. "A preocupação devia ser apoiar as famílias economicamente vulneráveis porque, nestes momentos de dificuldade, tendem a recorrer a crédito pessoal e cartões de crédito para fazer face aos aumentos na alimentação e na habitação", refere.

Não são só as famílias que vão sentir o impacto do conflito no Médio Oriente. O diretor-geral da Confederação Empresarial de Portugal avisa que "não há empresa que resista a estas crises sucessivas". Rafael Alves da Rocha pede por isso "medidas imediatas e apoios especiais". Mas, diz, "Portugal ainda está a pensar naquilo que pode fazer em prol da economia".

Uma das empresas que já começa a ressentir-se é a têxtil Crispim Abreu,em Riba d'Ave, Famalicão. A fatura do gás já subiu, a matéria-prima escasseia e os preços também estão mais altos. A administração da fábrica apostou na prevenção logo que se começou a falar da guerra. Comprou vários carregamentos de matéria-prima, mas isso não chega e, se o conflito demorar muito tempo, a situação será muito grave para o têxtil como foi perceber a reporter Ana Gonçalves.
Para Francisco Sena Santos, jornalista da Antena 1, "esta intervenção no Irão foi mal planeada. Neste momento temos a acumulação desenfreada de violação de direitos humanos, de crimes de guerra, sofrimento imenso, danos na economia". No programa Consulta Pública, Sena Santos lamenta: "é uma guerra fora de controlo".

Opinião idêntica tem Viriato Soromenho Marques. O professor universitário refere que "não sei se Trump tem consciência de que a supremacia militar americana nada vale perante o poder nuclear. Esta guerra vai continuar e só Israel sabe o que quer".

António Coutinho, presidente da Associação Portuguesa da Energia defende que "todas a crises são uma oportunidade". E deixa um conselho: "a Europa tem de olhar para a energia como soberania, poder e risco. Como uma peça estratégica, muito para lá da questão tecnológica e de clima".

O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno.
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