ZERO alerta para má qualidade do ar nas escolas

ZERO alerta para má qualidade do ar nas escolas

No dia Mundial da Criança, a ZERO divulgou o resultado da avaliação da qualidade do ar nas escolas. A associação ambientalista fez as medições dos níveis de poluição em 15 escolas e considera os resultados preocupantes.

Inês Moreira Santos - RTP /
Reuters

O resultado da avaliação não é positivo: junto de 15 escolas de Lisboa o ambiente e a emissão de poluentes não são recomendáveis.

As crianças da cidade de Lisboa estão expostas a “níveis preocupantes” de poluição do ar junto às escolas, alertou hoje a associação ambientalista Zero, propondo a implementação de Ruas Escolares, com a restrição do tráfego rodoviário.

Com um mapa das escolas na capital portuguesa, o presidente da ZERO mostrou que não há nenhuma sinalizada "a verde" - com que indicaria que "estaríamos a cumprir os valores recomendados pela Organização Mundial de Saúde" - e "nem mesmo a amarelo".


As escolas da região de Lisboa estão referenciadas nesse mapa a "laranja ou a vermelho".

"Foram 15 escolas em 15 locais e o nosso alerta é: 'precisamos de menos pais a trazer os seus filhos à escola de carro'", afirmou Francisco Ferreira, explicando que é no início e no fim do dia que se verifica a presença maior do dióxido de azoto, um poluente que faz mal à saúde das crianças.

O presidente da associação ZERO aproveitou ser o Dia da Criança para alertar que "a poluição do ar esteja também na frente daquilo que são as preocupações das autarquias".

"A poluição do ar é aquela que maiores problemas causa em termos de doença e em termos de mortalidade".

A Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável realizou, pela primeira vez, uma campanha de avaliação da qualidade do ar na envolvente de 15 escolas em Lisboa, através da medição de dióxido de azoto – principal poluente atmosférico que resulta essencialmente do tráfego rodoviário –, e concluiu que os indicadores registados são “extremamente preocupantes” face ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Os resultados da análise são apresentados hoje no âmbito do Dia Mundial da Criança, em que a Zero vai promover “uma Rua Escolar provisória” junto ao Jardim Infantil Pestalozzi, na freguesia de Alvalade, com o apoio da Bicicultura e da Câmara Municipal de Lisboa, transformando a Rua Dr. João Soares num “espaço aberto” à comunidade escolar e à vizinhança, permitindo que as crianças usufruam do espaço público “em maior segurança e com menor exposição aos poluentes do tráfego automóvel”.

Das 15 escolas analisadas, localizadas dispersamente por toda a cidade, todas registam concentrações de dióxido de azoto “muito acima do valor máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde”, ou seja, superiores a 10 micrograma por metro cúbico (µg/m³), adiantou a responsável.

De acordo com a Zero, analisando os dados face à legislação europeia que entrará em vigor em 2030, com o valor limite de 20 µg/m³, há 14 escolas com valores superiores ao previsto, sendo que a única que cumpre, entre as 15 analisadas, é a Escola Dona Filipa de Lencastre (20,2 µg/m³).

Relativamente ao atual limite legal de concentração de dióxido de azoto, de 40 µg/m³, que nos últimos anos tem sido “recorrentemente ultrapassado” na Avenida da Liberdade, principal artéria do centro de Lisboa, três das 15 escolas registam valores superiores, nomeadamente o Colégio Cesário Verde (57,8 µg/m³), o Colégio Saint Daniel Brottier (48,9 µg/m³) e a Escola Básica (EB) Nuno Gonçalves (40,7 µg/m³), revelou Rita Prates.

Entre as escolas analisadas constam ainda a EB Eugénio dos Santos (38,0 µg/m³), Lycée Français Charles Lepierre (36,7 µg/m³), Colégio do Sagrado Coração de Maria (32,7 µg/m³), Escola Secundária Pedro Nunes (31,8 µg/m³), EB Quinta dos Frades (31,2 µg/m³), EB Sampaio Garrido (30,4 µg/m³), EB Pedro de Santarém (29,1 µg/m³), EB 2,3 Delfim Santos (27,9 µg/m³), EB Bairro de São Miguel (24,2 µg/m³), Jardim Infantil Pestalozzi (23,9 µg/m³) e Colégio Moderno (23,9 µg/m³).

A Zero comparou também os valores registados pelas estações de monitorização de qualidade do ar geridas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) com os resultados obtidos junto às 15 escolas, e concluiu que a poluição do ar está presente “de forma generalizada” nos locais analisados e, por isso, “este é um problema estrutural em grande parte da cidade de Lisboa”.

C/Lusa
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