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Política com Assinatura
Eurico Brilhante Dias acusa Paulo Rangel: "é como a Maria patroa e a Maria empregada"
Eurico Brilhante Dias afirma que o Ministro dos Negócios Estrangeiros "é como a Maria patroa e a Maria empregada: na oposição atacava ferozmente o Governo do Partido Socialista em muitas matérias que diziam respeito ao Estado Português com entidades estrangeiras. Depois parece a Maria patroa quando passa a ser Ministro dos Negócios Estrangeiros e pede-nos agora aquilo que não fez enquanto esteve na oposição".
Imagem e edição de vídeo: Pedro Chitas
O PS quer ouvir Rangel à porta fechada porque, diz Brilhante Dias, falta esclarecer os condicionamentos estabelecidos pelo Governo para a utilização da Base das Lajes pelos militares norte-americanos e sobre o dia em que foram estabelecidos
"Foram colocados condicionamentos à utilização da Base das Lajes no sábado, e o ataque foi precisamente no sábado. As condições foram impostas depois do ataque começar”, critica Eurico Brilhante Dias que questiona: “de que servem as condições depois do ataque começar?”. No podcast da Antena 1, Política com Assinatura, à questão da editora de política da Antena 1, se Portugal está em risco por autorizar a utilização da Base das Lajes pelos norte-americanos, Eurico Brilhantes Dias diz que “seria temerário responder à pergunta”.
Porém adianta que “creio que não, espero que não” exista esse risco. Eurico Brilhante Dias avisa que o impacto da guerra no Médio Oriente, despoletada no dia 28 de fevereiro, vai ter impacto no preço dos combustíveis em Portugal, já a partir da próxima semana.
“Provavelmente a bomba de gasolina na segunda-feira poderá já registar um primeiro aumento”, estima Brilhante Dias que prevê também que isso possa derivar no aumento do preço de outros bens.
“A Direita saiu das Presidenciais para o divã”
O reaparecimento de Pedro Passos Coelho no panorama político nacional é, na opinião do líder do Grupo Parlamentar do PS, resultado de um “confronto interno na Direita”, de um “mal-estar na direita portuguesa” após os resultados obtidos nas eleições Presidenciais.
Eurico Brilhante Dias afirma mesmo que “a Direita portuguesa saiu das Presidenciais para o divã” porque saiu “muito debilitada das eleições”.
Para o socialista, Passos é “mais frentista” e Montenegro “prefere navegar à vista”. Ainda assim, Brilhante Dias admite que “nunca irei subscrever uma solução que entrega o PSD nas mãos da extrema-direita”, uma ideia mais frentista. Na opinião do líder do Grupo Parlamentar do PS, o primeiro-ministro devia ter aprendido a lição, referindo-se ao facto de o eleitorado da AD, e da IL, ter votado em António José Seguro, “porque quis rejeitar o extremismo e o radicalismo”.
Dirigindo-se a Luís Montenegro, Eurico Brilhante Dias diz “leia com atenção os resultados das Presidenciais e perceba que uma legislatura longa, permitindo a concretização de políticas públicas, obriga a uma negociação no parlamento e essa negociação deve se feita entre partidos democráticos”.
Provedor da Justiça: PS não fala sobre isso com o Chega
Eurico Brilhante Dias não revela quem pode vir a ocupar o lugar na Provedoria de Justiça. “Sem um quadro completo, fechado, não farei qualquer menção a nenhuma eleição em particular”, garante. E afirma que “o PS não fala sobre este tema com o Chega. O PS fala com o seu interlocutor, o PSD”.
Em entrevista ao Política com Assinatura, adianta, no entanto, que existem dificuldades. “Há que construir soluções de 2/3. Há várias configurações para fazer os 2/3. Uma delas seria um acordo entre o PS e o PSD, mas também com a IL e o LIVRE. Os quatro partidos em conjunto têm 2/3”.
Apesar de referir este cenário, Eurico Brilhante Dias assegura que “não estou a dizer que quero deixar o Chega de fora porque isso não resolveria o problema”.
Novo MAI: “Não sei se é o homem certo”
Sobre a escolha de Luís Neves para Ministro da Administração, Eurico Brilhante Dias não se alonga. “Não sei se é o homem certo”, afirma.
Todavia lá vai dizendo que “se o Dr. Luís Neves conseguir explicar do Dr. Leitão Amaro a separação entre imigração e segurança, e se conseguir explicar ao Governo que a sua política era errada, já ganhámos qualquer coisa”.
Leiria: “dinheiro não está a chegar às pessoas”
Eleito para o parlamento pelo Distrito de Leiria, Brilhante Dias mostra-se muito preocupado com a região, após a passagem da tempestade Kristin. “Vejo muitos empresários desesperados que ainda não receberam nem o apoio para a tesouraria”, adianta. E dá outro exemplo: “a esmagadora maioria das pessoas que tem a sua casa destelhada, tem hoje muitas dificuldades em aceder aos apoios”.
“Manifestamente esse dinheiro não está a chegar às pessoas”, conclui o socialista.
Brilhante Dias avisa ainda para outra situação que se prende com o Pinhal de Leiria. A poucos meses da época de incêndios, o líder do grupo parlamentar do PS relembra que “a madeira está no chão. Aquilo que se pede é uma intervenção rápida, com recursos adicionais, sob pena de termos ali um risco muito elevado para a época de incêndios”. Entrevista conduzida pela editora política da Antena 1, Natália Carvalho.