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25 de Abril. Seguro alerta que "liberdade desaparece aos poucos" e pede transparência no financiamento dos partidos

25 de Abril. Seguro alerta que "liberdade desaparece aos poucos" e pede transparência no financiamento dos partidos

No seu primeiro discurso enquanto chefe de Estado na data que assinala a Revolução dos Cravos, António José Seguro deixou recados diretos ao Governo e alertou para o perigo do desaparecimento da liberdade.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Rodrigo Antunes - Lusa

António José Seguro discursou este sábado na sessão solene do 25 de Abril na Assembleia da República, onde alertou que a "liberdade não desaparece de uma só vez". O presidente da República aproveitou ainda para criticar o novo modelo de financiamento dos partidos, defendendo que “os cidadãos têm o direito de saber como são tomadas as decisões”.

“A liberdade não desaparece de uma só vez, desaparece aos poucos”, vincou Seguro. “Primeiro é uma lei que parece razoável, depois uma instituição que se esvazia por dentro, depois uma voz que deixa de se ouvir, depois outra”.

O presidente da República insistiu que “o perigo para a democracia raramente chega como nos filmes”, sendo mais frequente “afirmar-se com argumentos que parecem inofensivos e, nos dias de hoje, também com algoritmos”.

“Hoje, quando vemos a democracia ser testada dentro e fora das nossas fronteiras, não podemos hesitar. Ou a defendemos com coragem, ou arriscamos perdê-la em silêncio”, avisou.

O presidente da República criticou ainda o novo modelo de financiamento dos partidos, que prevê que deixem de ser tornados públicos os donativos.

Não há verdadeira liberdade sem transparência no exercício dos cargos públicos. Os cidadãos têm o direito de saber como são tomadas as decisões que afetam as suas vidas. A transparência dos donativos políticos é essencial para garantir uma democracia saudável e justa”, salientou.

“Quando o financiamento é claro e acessível, os cidadãos conseguem compreender quem apoia quem e com que interesses. Tornar públicos os donativos não é uma questão administrativa, é um compromisso com a ética e respeito pelos portugueses”.

Para António José Seguro, “onde há opacidade, cresce a suspeita” e “onde há clareza, fortalece-se a legitimidade”.Recados sobre corrupção, pobreza e desafios dos jovens
O presidente deixou ainda outros recados, nomeadamente dizendo que “o combate à corrupção é outra prioridade inadiável”, já que “a corrupção distorce a vontade democrática, desvia recursos que pertencem a todos e mina os alicerces do Estado de Direito”.

Afirmou ainda que “a pobreza limita escolhas, condiciona oportunidades e, muitas das vezes, silencia vozes”, pelo que “quem vive na precariedade extrema não é plenamente livre para decidir o seu caminho”.

António José Seguro disse também ter “mesmo muita dificuldade em compreender que mulheres ganhem menos do que os homens no desempenho da mesma atividade pelo facto de serem mulheres”.

Aos jovens, quis transmitir que “vários dos desafios que enfrentam são duros” e condenou “a conveniência egoísta de algumas gerações” e “os interesses de alguns setores económicos”.

Quanto à saúde, considerou “imperativo reforçar a formação e o investimento”, nomeadamente na saúde mental. Destacou também o direito a habitação digna, “sem a qual o projeto de vida das novas gerações fica suspenso”.“25 de Abril de 1974 é de valor inquestionável”
Ao arrancar o discurso, o presidente da República vincou que “a liberdade é tão natural como a nossa vida” e que “a liberdade, a igualdade, a justiça social, a democracia são valores que fazem parte da nossa identidade coletiva”.

“O 25 de Abril de 1974 é de valor inquestionável” e foi, “de certa forma, em termos coletivos, um nascimento”, considerou António José Seguro.

Dirigindo-se aos capitães de Abril, muitos deles presentes nesta sessão solene, o presidente disse: “deram-nos mais do que o fim da ditadura, deram-nos a liberdade de sermos nós próprios e escolhermos o nosso caminho”.

“Mas a liberdade não vive isolada. Está profundamente ligada à paz. Num tempo em que assistimos com inquietação a guerras que devastam países e destroem vidas, compreendemos melhor esta ligação”, acrescentou.
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