"Absolutamente mentira". Pai de aluno desmente Fernando Alexandre

"Absolutamente mentira". Pai de aluno desmente Fernando Alexandre

O pai do aluno de Viseu que teve o exame desaparecido e recorreu aos tribunais desmente a garantia deixada hoje pelo ministro da Educação em sessão no Parlamento de que o caso ficou resolvido no fim de semana.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Tiago Petinga - Lusa

"Absolutamente mentira", afirma Paulo Duarte, pai desse aluno em declarações escritas à RTP.

"Só lhe posso dizer que não, não ficou!!! É mentira! O que enviaram está cheio de irregularidades e lacunas grave"Absolutamente, mentira...", escreve, anunciando a marcação de uma conferência de imprensa para as próximas horas.

Paulo Duarte reagia assim às declarações desta tarde do ministro da Educação, Fernando Alexandre, na sessão da Assembleia da República em que voltou a ser questionado pela forma como decorreram as avaliações dos exames nacionais deste ano letivo.

“O Estado esmaga os mais fracos e é o caso nos exames”

Face ao desaparecimento da prova de Português do seu filho, classificada com 4,6 valores, a família recorreu ao Tribunal Administrativo de Viseu, que aceitou uma providência cautelar.

"Exijo saber tudo o que diz respeito à prova do meu filho. Os anexos, a cadeia processual por onde passou, quero saber tudo. É uma questão de justiça. Não quero que o meu filho seja beneficiado, mas ele não pode ser vítima desta grande trapalhada", exigiu na altura em declarações registadas pelo Correio da Manhã.

O tribunal deu então ao EduQA (Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, o organismo público responsável pela gestão das políticas curriculares e avaliação no sistema educativo português) até esta segunda-feira para apresentar a prova digitalizada completa. Na impossibilidade de o fazer, o ministério fica obrigado ao pagamento diário de 100 euros.

Ainda ao Correio da Manhã, Paulo Duarte explicou que o filho tem necessidades educativas específicas, estando entre esses alunos mais afetados pelas falhas nos exames: “O Estado esmaga os mais fracos e no caso dos exames está efetivamente a esmagar os mais fracos. Sabemos que grande parte dos exames que desapareceram são de alunos com necessidades específicas, mais desprotegidos. Exortamos todos os que necessitem a recorrer aos tribunais. Apesar de tudo é a grande salvaguarda que temos para as tropelias do Estado”.
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