Agricultores do Mondego denunciam atrasos nos apoios. PCP acusa Governo de "propaganda"

Agricultores do Mondego denunciam atrasos nos apoios. PCP acusa Governo de "propaganda"

Depois das promessas feitas pelo Governo na sequência das fortes tempestades que atingiram a região Centro no início do ano, os agricultores do Vale do Mondego queixam-se de que as ajudas anunciadas nos últimos meses continuam por chegar.

João Alexandre - RTP Antena 1 /
Foto: João Alexandre - RTP Antena 1

As críticas foram ouvidas, esta segunda-feira, em Coimbra, pelos deputados do PCP, no segundo dia das jornadas parlamentares dedicadas às respostas às intempéries.

"Fala-se em milhões todos os dias, mas o que é certo é que ainda não chegou aos agricultores o apoio dos 10 cêntimos por litro de combustível agrícola", afirmou Isménio Oliveira, coordenador da Associação Distrital de Agricultores de Coimbra (ADACO).

"Há um agricultor aqui no Baixo Mondego que fez quatro candidaturas e ainda só recebeu uma. Não sabe quando vai receber as outras", acrescentou, numa conversa junto à Mata do Choupal, a poucos metros do Rio Mondego e perto da zona onde as cheias provocaram danos na Autoestrada do Norte.

Segundo Isménio Oliveira, os maiores prejuízos registaram-se em explorações com estufas de flores e hortícolas, viveiros e produção de árvores de fruto, muitos dos quais continuam sem qualquer compensação: "Falar-se em milhões é muito importante, mas mais importante é pagá-los".

"O canal de rega tem estado ao abandono. A única entidade que tem feito algumas obras é a Navigator. Não é uma empresa privada que devia assegurar a manutenção de uma obra pública. O Estado está claramente a demitir-se dessa responsabilidade", criticou o dirigente da ADACO, que assinala que os prejuízos das intempéries agravaram uma situação já conhecida.

Também Isaías Simões, agricultor e produtor no Baixo Mondego, atribui parte dos prejuízos à falta de manutenção da obra hidroagrícola.

"O rio está cheio de árvores, os descarregadores precisam de limpeza e as obras de manutenção continuam por fazer. Depois acontecem as cheias e toda a gente fica surpreendida", lamentou.

As críticas foram ouvidas pelo deputado Alfredo Maia, do PCP, que afirmou que os relatos dos agricultores confirmam as críticas que o PCP tem dirigido ao Governo.

"O Governo arregaça as mangas para os vídeos, faz muita propaganda, anuncia muitos milhões, mas aquilo que chega efetivamente aos agricultores continua por aparecer", disse o deputado comunista, que insiste: "Passados estes meses todos, mais de quatro meses volvidos dos acontecimentos, a verdade é que os agricultores continuam sem ver as indemnizações. E, por este andar, demorarão muito tempo e se calhar não chegarão".

Já sobre a obra do aproveitamento hidroagrícola do Mondego, o deputado aponta um "claro abandono da gestão" e sublinha: "Se isso não tivesse acontecido, a magnitude das cheias do inverno passado não teria sido tão grande".

No segundo dia de jornadas parlamentares nos distritos de Leiria e Coimbra, além das visitas a áreas agrícolas junto do Mondego, os deputados do PCP têm ainda marcada uma sessão pública sobre o pacote laboral proposto pelo Governo. Esta terça-feira, último dia da iniciativa comunista, junta-se aos restantes deputados o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo.
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