Política
Agricultores do Mondego denunciam atrasos nos apoios. PCP acusa Governo de "propaganda"
Depois das promessas feitas pelo Governo na sequência das fortes tempestades que atingiram a região Centro no início do ano, os agricultores do Vale do Mondego queixam-se de que as ajudas anunciadas nos últimos meses continuam por chegar.
As críticas foram ouvidas, esta segunda-feira, em Coimbra, pelos deputados do PCP, no segundo dia das jornadas parlamentares dedicadas às respostas às intempéries.
"Há um agricultor aqui no Baixo Mondego que fez quatro candidaturas e ainda só recebeu uma. Não sabe quando vai receber as outras", acrescentou, numa conversa junto à Mata do Choupal, a poucos metros do Rio Mondego e perto da zona onde as cheias provocaram danos na Autoestrada do Norte.
Segundo Isménio Oliveira, os maiores prejuízos registaram-se em explorações com estufas de flores e hortícolas, viveiros e produção de árvores de fruto, muitos dos quais continuam sem qualquer compensação: "Falar-se em milhões é muito importante, mas mais importante é pagá-los".
"O canal de rega tem estado ao abandono. A única entidade que tem feito algumas obras é a Navigator. Não é uma empresa privada que devia assegurar a manutenção de uma obra pública. O Estado está claramente a demitir-se dessa responsabilidade", criticou o dirigente da ADACO, que assinala que os prejuízos das intempéries agravaram uma situação já conhecida.
Também Isaías Simões, agricultor e produtor no Baixo Mondego, atribui parte dos prejuízos à falta de manutenção da obra hidroagrícola.
"O rio está cheio de árvores, os descarregadores precisam de limpeza e as obras de manutenção continuam por fazer. Depois acontecem as cheias e toda a gente fica surpreendida", lamentou.
As críticas foram ouvidas pelo deputado Alfredo Maia, do PCP, que afirmou que os relatos dos agricultores confirmam as críticas que o PCP tem dirigido ao Governo.
"O Governo arregaça as mangas para os vídeos, faz muita propaganda, anuncia muitos milhões, mas aquilo que chega efetivamente aos agricultores continua por aparecer", disse o deputado comunista, que insiste: "Passados estes meses todos, mais de quatro meses volvidos dos acontecimentos, a verdade é que os agricultores continuam sem ver as indemnizações. E, por este andar, demorarão muito tempo e se calhar não chegarão".
Já sobre a obra do aproveitamento hidroagrícola do Mondego, o deputado aponta um "claro abandono da gestão" e sublinha: "Se isso não tivesse acontecido, a magnitude das cheias do inverno passado não teria sido tão grande".
No segundo dia de jornadas parlamentares nos distritos de Leiria e Coimbra, além das visitas a áreas agrícolas junto do Mondego, os deputados do PCP têm ainda marcada uma sessão pública sobre o pacote laboral proposto pelo Governo. Esta terça-feira, último dia da iniciativa comunista, junta-se aos restantes deputados o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo.