André Ventura pretende que PSU baixe à especialidade sem votação no Parlamento

André Ventura pretende que PSU baixe à especialidade sem votação no Parlamento

O primeiro-ministro e o presidente do Chega estiveram reunidos esta tarde para discutir a reforma da lei laboral. André Ventura quer que PSU baixe à especialidade sem votação na generalidade.

RTP /
André Ventura, líder do Chega Foto: Miguel A. Lopes - Lusa

O encontro em São Bento, à porta fechada, durou cerca de hora e meia.

“Não houve ainda possibilidade de chegar a entendimento em relação à PSU“, afirmou o líder do Chega em declarações aos jornalistas após a reunião desta tarde com o primeiro-ministro.

O líder do Chega pensa que a Prestação Social Única (PSU) deve baixar à especialidade sem votação na generalidade, de modo a que os contactos para um entendimento continuem, uma vez que “ainda” não há acordo com o Governo e o PSD sobre a proposta da Prestação Social Única.

“O que penso que acontecerá — mas essa é uma decisão que terá de ser tomada pelo grupo parlamentar do PSD –, o que ficou parcialmente acordado, é no sentido de se poder trabalhar para poder chegar ainda a esse entendimento de restrição [ aos apoios sociais a imigrantes] seja feita à baixa sem votação", disse Ventura. 

Condição "para que, no prazo de uma semana, se possa chegar à fórmula do princípio que não abdicamos “, acrescentou.
Aproximação possível

O ministro da Presidência, Leitão Amaro, admitiu esta quinta-feira, no final da reunião do Conselho de Ministros, que o Governo poderá fazer "aproximações" ao Chega para aprovar o diploma que cria a PSU, sem adiantar detalhes nem nunca referir o partido de André Ventura.
"Nós vamos, construtivamente, dialogando com todos, e isso implica, naturalmente, aproximações", disse o ministro, escusando-se a adiantar detalhes por não querer fazer "negociações públicas".

Leitão Amaro sublinhou que um Governo que não tem maioria absoluta "tem sempre que dialogar com os partidos" e defendeu que têm sido alguns partidos que "recorrentemente se autoexcluem de negociações".

"Seja porque nem sequer estão disponíveis, ou, a maioria das vezes, por dizerem que não se reveem de todo nesta reforma, nesta mudança", afirmou, numa aparente referência ao PS.

No final da reunião com o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, fonte oficial do Chega disse à Lusa que "há caminho para andar" para um acordo com o Governo.

o PS reiterou hoje que, "tal como está", votará contra a proposta da Prestação Social Única, mas acrescentou que "está nas mãos do Governo" porque tem os instrumentos regimentais necessários para que este processo possa ter acordo dos socialistas.

Na sexta-feira, em plenário, na Assembleia da República, será debatida e votada uma autorização legislativa do Governo que pretende criar a PSU no âmbito do subsistema de solidariedade.
Chega exige cedências na reforma laboral

André Ventura já tinha dito, no início da semana, que ia dizer a Luís Montenegro que não havia caminho para andar na reforma, se o governo não fizer cedências em relação às propostas do Chega.

"Em relação à reforma laboral, que ocupou a grande parte da conversa que tivemos, não houve possibilidade de chegar a entendimento em relação a essa matéria. Há temas que continuam a dividir profundamente", afirmou André Ventura, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

Ventura insiste na redução da idade da reforma, no aumento dos dias de férias, e em impor limites máximos nas reformas mais elevadas.

"Se tudo se mantiver como está, se não houver alterações da parte do Governo em relação a temas essenciais, o Chega não acompanha esta reforma laboral", acrescentou Ventura.

De acordo com o líder do Chega, ficou "acordado com o primeiro-ministro" que o partido voltará a "sistematizar as propostas" e a apresentá-las.

Interrogado sobre se haverá espaço para negociar, Ventura respondeu que "depende do Governo".

Na quarta-feira, em declarações aos jornalistas, o presidente do Chega manifestou-se convicto de que a proposta do Governo de revisão das leis laborais será votada na generalidade, no parlamento, considerando "irracional" um cenário em que esse diploma baixe sem votação diretamente a especialidade.

A proposta de lei do executivo será debatida em plenário no próximo dia 18 e, em princípio, votada na generalidade no dia seguinte, 19 de junho.
Polémica sobre acesso à PSU

No final da reunião semanal do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro foi também questionado sobre a manchete do Jornal de Notícias, segundo a qual jovens com cancro ou deficiência poderiam ser obrigados a realizar trabalho social para aceder a esta PSU, que pretende juntar numa única prestação 13 atuais apoios.

O ministro corrigiu que não se trata de "trabalho social, mas de realização de atividades de solidariedade social" e afirmou que esta condição de acesso já existe na legislação em vigor relativa ao Rendimento Social de Inserção (RSI), uma das 13 prestações que a PSU pretende substituir.

Ou seja, se a pessoa tiver um grau de dependência superior a 80 por cento, já não tem de assumir - na lei vigente - as obrigações previstas no contrato social de inserção relativas ao RSI.

Leitão Amaro admitiu, contudo, que a intenção do Governo com a nova PSU passa por obrigações "mais robustas" - "uma obrigação mais a sério" - mas remeteu para o Parlamento a faculdade de "fazer melhoramentos" no texto, cujo pedido de autorização legislativa do executivo será votado na sexta-feira na generalidade.

c/Lusa
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