Autarca considera fecho de serviços no Hospital do Alto Ave "demasiado grave"

Guimarães, 11 abr (Lusa) - O presidente da Câmara Municipal de Guimarães considera "demasiado grave" o fecho de valências no Hospital do Alto Ave e exige "explicações" ao Governo sobre a perda de serviços considerados de "excelência" a favor do Hospital de Braga.

Lusa /

Domingos Bragança, em declarações hoje, à margem de uma reunião com os autarcas de Évora e do Porto, confessou-se "surpreendido" pelo anúncio do fecho de serviços no hospital de Guimarães e sugeriu que se é um "problema de dimensão", que se unam os hospitais de Alto Ave e do Baixo Ave.

A portaria 82/2014, publicada em Diário da República, desclassifica o Centro Hospitalar do Alto Ave e retira-lhe os serviços de Neonatologia (incluindo a Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, Imunoalergologia, Obstetrícia (incluindo o Bloco de Partos e Medicina da Reprodução), Dermatologia, Urologia, Cirurgia Vascular e Anatomia Patológica.

"Está a passar-se algo com muita gravidade para Guimarães. Não passa pela cabeça do presidente da câmara e de nenhum vimaranense que isso [fecho daqueles serviços] aconteça. É demasiado grave. Nem quero aceitar que seja verdade", alertou.

O autarca mostrou-se "surpreendido" pelas consequências da referida portaria uma vez que, disse, reuniu "recentemente" com o secretário de Estado da Saúde e este não deu indícios da perda de valências no Hospital do Alto Ave.

"Foi-me dito, com normalidade, que o nosso hospital era de excelência, foram exatamente estas palavras. Saí desta reunião tranquilo, satisfeito, agradado por ter o reconhecimento de uma unidade de excelência", explicou.

Por isso, Domingos Bragança exige que o Governo explique a citada portaria.

"O que se está a passar é muito grave e tem que haver explicações do Governo de modo a que se perceba porque se prejudicou uma unidade que é de excelência", salientou.

O autarca sugeriu que "se é um problema de dimensão então que haja fusão e se faça um hospital do Ave, com as unidades de Guimarães e Famalicão".

Adiantou que "haverá muitas reuniões de trabalho com o conselho de administração, o ministro e secretário de Estado mas também com instituições e entidades que possam fazer com que isso se resolva".

Domingos Bragança levantou ainda uma dúvida: "A maternidade vai ser em Braga por ser hospital privado?".

Também a distrital de Braga do BE se manifestou contra o fecho de serviços no Hospital do Alto Ave.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o Bloco "repudia" a "frieza dos números e a obsessão economicista" que norteiam a ação do Governo.

"Retirar serviços a um hospital, com a abrangência do de Guimarães, que serve os Vales do Ave e Vizela, Terras de Basto e Alto Ave é, mais uma demonstração insensibilidade social", afirma o BE.

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