BE exige clarificação sobre alegadas pressões de Miguel Relvas a jornalista do Público
Lisboa, 19 mai (Lusa) - O BE exigiu hoje a clarificação do caso das alegadas pressões do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares a uma jornalista do Público, sublinhando que não pode existir "opacidade" em relação à liberdade de imprensa.
"É essencial que o assunto seja clarificado", afirmou a deputada do BE Catarina Martins, em declarações à Lusa.
Classificando qualquer ataque à liberdade de imprensa, "que é um dos pilares fundamentais da democracia" como inaceitável, Catarina Martins reconheceu que o BE viu com "muita preocupação o que foi dito pelo Conselho de Redação do Público e a falta de clarificação de todo o caso".
"Não pode haver opacidade em relação à liberdade de imprensa", acrescentou, notando que este caso envolve precisamente o ministro que tem a tutela da comunicação social, além de ser o "número dois do Governo".
Interrogada sobre se o BE está disponível para apoiar o pedido do PS para que o ministro Miguel Relvas vá ao Parlamento esclarecer o caso, Catarina Martins afirmou que o seu partido apoiará todos os mecanismos que contribuam para o esclarecimento.
Sobre a posição do PCP, que considerou que, a confirmarem-se as alegadas pressões, Miguel Relvas não tem condições para continuar no Governo, a deputada do BE disse apenas que primeiro importa clarificar o que aconteceu.
A agência Lusa contactou ainda o PSD e o CDS-PP para um comentário a este caso, mas nenhum dos partidos quis fazer declarações.
O Conselho de Redação do Público denunciou na sexta-feira, em comunicado, que Miguel Relvas ameaçou queixar-se ao regulador do setor, promover um "blackout" de todos os ministros ao jornal e divulgar, na Internet, dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma determinada notícia.
A notícia, da autoria de Maria José Oliveira e que acabou por não ser publicada, pretendia evidenciar "as incongruências" das declarações do ministro, na terça-feira, no Parlamento, sobre o caso das secretas.
Numa nota posterior, a direção do jornal justificou-se alegando que "não havia matéria publicável", tendo a decisão sido tomada antes de conhecer as ameaças.
Mais tarde, o Público noticiou que o ministro Miguel Relvas pediu, nesse dia, desculpa ao jornal, depois de a direção ter protestado contra "uma pressão" do governante sobre uma jornalista que acompanha o caso das secretas.
O pedido de desculpas, noticiado pelo jornal, ocorreu no mesmo dia em que o gabinete de Miguel Relvas refutou a denúncia do Conselho de Redação do Público sobre ameaças do titular da pasta da comunicação social ao jornal e a uma jornalista, por causa de uma notícia relacionada com o caso das secretas, e que acabou por não ser publicada.
O PS já anunciou que vai pedir a presença do ministro no Parlamento para esclarecer o caso e o Sindicato dos Jornalistas (SJ) vai solicitar a intervenção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias.
O SJ defende que, a confirmarem-se as ameaças e pressões imputadas ao ministro, este "deixaria de ter condições para manter-se no Governo".