Política
BE quer ouvir secretária-geral do Sistema de Segurança Interna sobre "desarticulação" no caso das ameaças a Montenegro
O Bloco de Esquerda requereu a audição urgente, à porta fechada, da secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), na Assembleia da República, na sequência das notícias sobre um alegado plano de ataques a centenas de titulares de cargos políticos e organizações.
De acordo com o semanário Expresso, o Ministério Público e a Polícia Judiciária não terão informado os serviços de informações de que tinha sido descoberto um alegado plano de ataque à residência do primeiro-ministro, Luís Montenegro, preparado por elementos do grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL), num plano que, de acordo com o noticiado, visava centenas de titulares de cargos políticos e perto de meia centena de organizações.
Fabian Figueiredo, deputado único do BE, considera que o que veio a público é "manifestamente preocupante" e defende que são precisos esclarecimentos sobre a forma como circulou a informação entre as várias entidades responsáveis pela segurança interna.
"O primeiro-ministro é alvo de ameaças, a sua residência é alvo de ameaças, um conjunto alargado de cidadãos é alvo de ameaças e não há qualquer tipo de notificação. É por demais evidente que o sistema de segurança interna falhou", afirmou o deputado, que aponta à audição da secretária-geral do SSI, Patrícia Barão: "Para ter a certeza de que o que aconteceu não volta a acontecer e perceber o que falhou na articulação entre a investigação, as secretas e a devida comunicação aos visados".
Em declarações à RTP Antena 1, o deputado do BE criticou ainda a forma como o caso tem sido conduzido pelas várias entidades.
"Não podemos continuar a ter o Ministério Público, a Polícia Judiciária e as secretas a mandarem recados através dos jornais uns aos outros. Isto não é o Estado a funcionar de forma regular", defendeu.
Questionado sobre as declarações do primeiro-ministro, que disse não ter sido informado das ameaças, o deputado afirmou que a situação é "preocupante".
"Não é normal o senhor primeiro-ministro, o ex-presidente da República, membros de órgãos de soberania e dezenas de cidadãos portugueses poderem ser alvos de ataques terroristas e haver uma desarticulação do Sistema de Segurança Interna. É isso que é preocupante", disse.
O deputado assinala ainda que o próprio ministro da Administração Interna já admitiu uma falha de comunicação no processo.