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PSD reunido em Congresso um dia depois do chumbo do pacote laboral

Carlos Eduardo Reis diz que Governo deve "envolver o PS no diálogo" e alerta para o risco de eleitorado "não distinguir entre PSD e Chega"

Carlos Eduardo Reis diz que Governo deve "envolver o PS no diálogo" e alerta para o risco de eleitorado "não distinguir entre PSD e Chega"

Inês Ameixa - RTP Antena 1 /

Foi eleito presidente da distrital do PSD em Braga, terra de Hugo Soares, sem o apoio da direcção do partido, mas recusa o título de "voz da oposição" à actual liderança. Carlos Eduardo Reis assume, sim, que tem uma "visão relativamente diferente em algumas matérias". Em entrevista à RTP Antena 1, à margem do Congresso Nacional do PSD, que decorre este fim-de-semana, o social-democrata rejeita que Luís Montenegro chegue fragilizado à reunião magna em Anadia, distrito de Aveiro, após o chumbo do pacote laboral na Assembleia da República.

"A palavra fragilidade é um pouco forte, talvez menos galvanizado ou entusiasmado, diria assim", explica. Carlos Eduardo Reis rejeita "dramas" no desfecho sobre a proposta de alteração ao Código do Trabalho, "até porque demonstra um ímpeto reformista [do Governo], essa vontade que o Partido Socialista nunca mostrou".



Questionado pela rádio pública sobre se a lição foi aprendida sobre um Chega que pode não ser confiável, o ex-deputado do PSD vê como "natural" que o Governo procure entendimentos no Parlamento "à esquerda e à direita". Mas destoa na estratégia adoptada por Luís Montenegro: "Eu não coloco os dois, PS e Chega, no mesmo patamar", defendendo que "o problema" é que o Governo "não tentou incluir os socialistas nestas reformas, nestes diálogos". Para Carlos Eduardo Reis, o PS "tem a responsabilidade de se sentar com aqueles que querem reformar o país".

Mas será que o Governo quer sentar-se com o PS? "Acho que o Governo quer sentar-se com o PS e o PS tem de mostrar essa abertura. Se não mostrar temos nós de insistir", responde, acrescentando que "o exercício de governação é um exercício de paciência" e que não se "satisfazia" só com o Chega, mas "insistiria no envolvimento do PS" nos diálogos parlamentares.

Nesta entrevista, Carlos Eduardo Reis, também vereador na Câmara Municipal de Barcelos, alerta para as consequências de negociar com o Chega matérias "tão importantes", como é o caso da Reforma Laboral. Tem o risco da "normalização" do partido liderado por André Ventura. "Aí coloca-se a questão: quem dá o abraço do urso a quem? Nós ao Chega ou o Chega a nós? Porque chega uma altura em que as pessoas já não distinguem entre os dois partidos",avisa Carlos Eduardo Reis, que em entrevistas anteriores já alertava que o Chega "quer engolir" o PSD.

Carlos Eduardo Reis diz que "quando não gostamos das críticas, temos de saber encaixá-las para seguirmos em frente"

Questionado sobre o espírito reformista que Luís Montenegro reclama para si, o social-democrata considera que "não se pode pedir a este Governo que apresente, passados dois anos, resultados imediatos". Mas defende que é preciso "empatia" a explicar aos portugueses o que o Executivo está a fazer para transformar as suas vidas.

A falta de reformismo de Luís Montenegro tem sido uma das principais críticas apontadas por Pedro Passos Coelho, que já pediu "mais ritmo" à governação. O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, já tinha dito, em entrevista à Antena 1, que "todos os ex-líderes são bem-vindos" ao Congresso em Anadia. Carlos Eduardo Reis alinha nessa visão e defende que "alguém tão impactante na militância social-democrata, e até fora dela, teria aqui um espaço privilegiado para poder contribuir com o seu pensamento". Mas com Passos Coelho ausente da reunião magna do partido que em tempos liderou, o actual presidente do PSD/Braga entende que "quando não causam dano excessivo, as críticas podem ser uma oportunidade e são positivas".

"Alguém tão impactante na palavra merece ser ouvido. Temos que saber, mesmo quando não gostamos, encaixar essas críticas para podermos seguir em frente", conclui Carlos Eduardo Reis, em entrevista à rádio pública, à margem da reunião magna, que decorre este fim-de-semana em Sangalhos, Anadia, distrito de Aveiro.
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