Política
Carneiro convicto que será primeiro-ministro e que não tem opositor interno
José Luís Carneiro mostra-se "firmemente convencido" de que vai disputar legislativas enquanto líder do PS, que será primeiro-ministro e recusa ter um opositor interno porque não vê divergências de fundo, recebendo Pedro Nuno Santos "de braços abertos".
Em entrevista à agência Lusa, o secretário-geral do PS acolhe o regresso do antecessor Pedro Nuno Santos ao parlamento, responde à recente recusa do ex-ministro Duarte Cordeiro para integrar os órgãos do partido e afasta a ideia que esteja a surgir uma oposição interna não assumida que possa vir a disputar a sua liderança perto de umas eleições.
"Estou firmemente convencido que irei a eleições e que vou ganhar as eleições para primeiro-ministro", enfatiza, clarificando que esta sua convicção é válida para o calendário normal das legislativas ou para uma eventual antecipação.
"Estou firmemente convencido que irei a eleições e que vou ganhar as eleições para primeiro-ministro", enfatiza, clarificando que esta sua convicção é válida para o calendário normal das legislativas ou para uma eventual antecipação.
Sobre o regresso de Pedro Nuno Santos ao parlamento para reassumir o mandato de deputado, Carneiro afasta qualquer desconforto e revela que conversou com o ex-líder do PS na semana passada.
"Disse-lhe que o acolheríamos de braços abertos e se ele se sente bem hoje no parlamento, é onde ele deve estar. Ele tem um mandato, tem uma legitimidade. E mais, espero que ele se sinta bem", afirma, esperando que as suas "capacidades e experiência política sejam devidamente valorizadas no trabalho parlamentar".
A entrevista à Lusa realizou-se ainda antes das declarações de Pedro Nuno Santos, que na quarta-feira disse respeitar mais José Luís Carneiro do que "taticistas que se escondem atrás da porta" à espera de ventos favoráveis para se candidatarem à liderança do partido.
Para o socialista, tal como numa família onde nem sempre todos concordam em tudo, num partido que tem 100 mil militantes não seria desejável unanimismo de opiniões.
"Um partido como o PS é um partido plural e aquilo que eu tenho o dever de fazer é estimular essa pluralidade na expressão de opiniões. E também tenho o dever de convidar as pessoas para que não digam que esta liderança não criou espaço para a participação de todos quantos queiram participar mais ativamente", explica, considerando que estar nos órgãos é estar na primeira linha do partido.
Carneiro considera ainda que "estruturalmente não há divergências de significado na forma" como tem feito oposição, aproveitando para se referir às recentes sondagens que mostram que, "em 10 meses, o PS subiu sete pontos percentuais na avaliação" dos portugueses.
Concretamente sobre Duarte Cordeiro, José Luís Carneiro manifesta "a maior consideração" pelos seus camaradas que "têm manifestado as suas divergências pontuais".
"Estruturalmente não há nenhuma divergência de fundo. E a prova disso está no facto de termos tido um Congresso que aprovou por mais de 90 por cento os órgãos que foram a Congresso. Isso é uma expressão muito forte de uma ampla convergência em relação à moção de estratégia", refere, lembrando que foi reeleito recentemente líder do PS e de novo sem opositor. Questionado sobre se via o antigo ministro dos governos de Costa como um opositor interno, o líder do PS foi perentório: "de modo algum, de forma alguma".
"Não vi agora, nem vi outrora, quando a primeira vez já convidei o Duarte, convidei a Mariana [Vieira da Silva], o António Mendonça Mendes, o Fernando Medina, o Francisco Assis, o Sérgio Sousa Pinto, a Ana Catarina Mendes para estarem na linha da frente do partido. E, portanto, não vi, em momento algum, esse sentimento. Vi opções diversas, nesta fase da vida das pessoas", aponta.
Sobre o futuro, Carneiro também não sabe o que poderá acontecer "porque vai depender muito das circunstâncias políticas" do país.
Carneiro acusa Governo de "asfixia democrática"O secretário-geral do PS acusou o Governo de "asfixia democrática", criando "instrumentos de distração da opinião pública", não respondendo a jornalistas e mexendo na "composição das estruturas de administração dos órgãos de comunicação social", como a Lusa.
"O que está a acontecer com o Governo é que se aplica ao Governo aquilo que outrora a [antiga presidente do PSD] Dra. Manuela Ferreira Leite falou do Governo do PS, da asfixia democrática", defendeu José Luís Carneiro na entrevista à agência Lusa.
Segundo o líder socialista, o Governo está a procurar "criar instrumentos de distração da opinião pública", como a "questões dos estrangeiros", das burcas, ou a lei da nacionalidade, temas "que não passam sequer pela cabeça das pessoas no seu dia-a-dia", para "manter o espaço mediático ocupado".
"O Governo está a tentar limitar o espaço mediático", declarou.
"Fazem conferências de imprensa e não respondem às perguntas dos jornalistas. É o primeiro sintoma. Depois, contratam uma empresa que há poucos dias teve dificuldades em Inglaterra, porque afinal essa empresa em Inglaterra estava a controlar as oposições e a controlar os jornalistas", afirmou, numa referência à ferramenta News Whip, que o Governo recusou que sirva para classificar e monitorizar jornalistas e que classifica de “clipping moderno".
José Luís Carneiro argumentou ainda que o Governo procura igualmente "mexer na própria composição das estruturas de administração dos órgãos de comunicação social, como está a acontecer com a Lusa".
"E procuram fazê-lo com que intenção? É com a intenção de favorecer a imparcialidade, a isenção, o escrutínio? Ou é com a intenção de determinarem quem manda nas instituições para que, por essa via, consigam influenciar os termos da agenda mediática?", questionou.
O PS entregou no início deste mês um projeto de lei para alterar os estatutos da Lusa, inspirado no modelo da RTP, que prevê a criação de um Conselho de Opinião e de Conselho Geral Independente (CGI), este último responsável por escolher o Conselho de Administração da agência.
O projeto altera também o modelo de escrutínio parlamentar, prevendo audições anuais do Conselho Geral Independente e do Conselho de Administração, mas exclui a realização regular de audições da Direção de Informação.
c/Lusa