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Carta aberta pede "sanção efetiva" para responsáveis por discurso de ódio no Parlamento

Carta aberta pede "sanção efetiva" para responsáveis por discurso de ódio no Parlamento

Mais de 700 pessoas subscreveram uma carta aberta na qual é exigida uma "sanção efetiva" para todos os que protagonizem ou colaborem com discurso de ódio na Assembleia da República. A missiva do Centro de Vida Independente condena especificamente "as acusações e insultos" dirigidos por membros do Chega à deputada socialista Ana Sofia Antunes.

Joana Raposo Santos - RTP /
A carta aberta foi remetida ao primeiro-ministro, ao presidente da Assembleia da República e ao presidente da República Foto: António Pedro Santos - Lusa

“O Centro de Vida Independente condena veementemente as acusações e os insultos dirigidos contra a senhora deputada Ana Sofia Antunes, apenas por ser uma pessoa com deficiência”, lê-se no documento.

Na semana passada, a deputada do Chega Diva Ribeiro dirigiu-se a Ana Sofia Antunes para dizer que esta apenas conseguia intervir “em assuntos que envolvem, infelizmente, a deficiência”.

Na ótica do Centro de Vida Independente, que luta pelos direitos de pessoas com diversidade funcional, as afirmações do Chega “constituem um ato de discriminação direta e objetiva, que resultam do capacitismo enraizado na sociedade, constituindo um crime de incitamento ao ódio e à violência, punível por lei”.“A política deve ser um espaço de debate de ideias e propostas, nunca de ataques pessoais ou discriminatórios”, lê-se na carta.

A organização frisa ainda que, ao longo de 50 anos de democracia, foi notória a “ausência das pessoas com deficiência do Parlamento português, principalmente mulheres com deficiência”, verificando-se igualmente “o afastamento relativamente aos processos decisórios e o desencorajamento para candidaturas e eleição de deputados e deputadas com deficiência”.

“Este episódio representa mais uma tentativa de nos silenciar e afastar da discussão política e, assim, da vida pública, promovendo a nossa exclusão e segregação”, refere a carta.

O Centro de Vida Independente defende que, “independentemente das crenças políticas, todas as pessoas presentes na Assembleia da República merecem ser tratadas com dignidade e respeito, de acordo com as regras fundamentais de um país democrático”.
"Postura neutra" de Aguiar-Branco criticada

A missiva aproveita para condenar “a postura neutra” do presidente da Assembleia da República, José Aguiar-Branco, “que permite todo o tipo de insultos e discriminação, ataques de ódio e outros casos, ao abrigo de uma suposta liberdade de expressão”.

“Exigimos uma sanção efetiva para as pessoas responsáveis por este discurso inaceitável, assim como para todas as que contribuam, propaguem e adotem discursos capacitistas, racistas, fascistas, homofóbicos e sexistas na Assembleia da República”, pedem os signatários.

Além disso, exigem que a Assembleia da República “adote um compromisso firme contra o capacitismo, implementando mecanismos que garantam um ambiente político verdadeiramente acolhedor da diversidade”.

A carta aberta, subscrita por 700 pessoas a título individual e cerca de 60 coletivos dos diversos movimentos sociais, foi remetida ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, e ao presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “no sentido de tomarem as diligências adequadas”.

A missiva é divulgada um dia depois de o Partido Socialista ter proposto a revisão do Código de Conduta do Parlamento, incluindo sanções que podem ir desde a retirada de um deputado da sala em caso de reiterada conduta grave até à possibilidade de suspensão de participação em ações externas em representação do Parlamento.
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