Cavaco pede união para "soluções corajosas, justas e responsáveis"

Cavaco pede união para "soluções corajosas, justas e responsáveis"

O Presidente da República aproveitou hoje uma intervenção nas comemorações dos 200 anos da Batalha do Buçaco para exortar os portugueses a juntar esforços em torno de “soluções corajosas, justas e responsáveis”. Em vésperas de receber as forças políticas para discutir a situação política e económica do país, Cavaco Silva afirmou também que confia "no sentido de responsabilidade dos dirigentes políticos portugueses".

RTP /

No domingo, a 48 horas de começar a receber os partidos em Belém, Aníbal Cavaco Silva defendia a ideia de que Portugal é um país a carecer de “ideias com visão de futuro”. Quanto à polémica protagonizada por José Sócrates e Pedro Passos Coelho, a propósito da aprovação do Orçamento do Estado para 2011, o discurso do Chefe de Estado foi omisso. O silêncio começa agora a dar lugar aos recados.

Ao falar, esta segunda-feira, na sessão solene das comemorações dos 200 anos da Batalha do Buçaco, na Mealhada, o Presidente da República sustentou que os portugueses têm hoje “o dever” de se unirem em torno de “soluções corajosas, justas e responsáveis”. Os portugueses, salientou, “souberam sempre vencer a adversidade e decidir, em liberdade, o seu próprio futuro como nação soberana e independente”.

“Também hoje, para vencer os grandes desafios que enfrentamos, dependemos sobretudo da nossa determinação e do nosso esforço colectivo. Temos o dever, perante os nossos antepassados e perante nós próprios, de nos unirmos em torno de soluções corajosas, justas e responsáveis que permitam assegurar um futuro de desenvolvimento, segurança e bem-estar para Portugal”, advogou o Presidente.

Mais tarde, questionado pelos jornalistas, em Aveiro, sobre as audiências partidárias dos próximos dias, Cavaco Silva começou por lembrar que o Orçamento "ainda não foi apresentado". Em seguida frisou que "existem cinco partidos da Oposição no Parlamento e que, portanto, são muitas as possibilidades de negociação".

"Eu confio no sentido de responsabilidade dos dirigentes políticos portugueses e é com esse espírito, com um espírito construtivo, que eu irei ouvir a partir de amanhã todos os partidos com representação parlamentar", reforçou o Presidente da República. "Eu tenho insistido muito no sentido da moderação e na serenidade na nossa vida política. Não deixei de contribuir nesse sentido. Eu não quero fazer comentários sobre declarações que os agentes políticos e os dirigentes fazem. O meu empenho, neste momento, é contribuir, de forma mais explícita do que tenho feito noutras ocasiões, porque eu não tenho estado parado, só que há coisas que se fazem de forma discreta, para que Portugal não caia numa crise política", rematou.

“Auscultação” aos partidos
As audiências de Cavaco Silva com as forças partidárias representadas no Parlamento vão decorrer nas manhãs de terça e de quarta-feira. PS e PSD são os dois últimos partidos a serem ouvidos no Palácio de Belém.

As reuniões foram anunciadas na passada sexta-feira por meio de uma nota com a chancela da Presidência da República: “Com vista a uma auscultação acerca da situação política, económica e social do país, o Presidente da República vai receber, na próxima semana e em audiências sucessivas, os representantes dos partidos políticos com assento parlamentar”.

O Partido Ecologista “Os Verdes” é o primeiro a ser recebido por Cavaco Silva, às 10h00 de terça-feira. Segue-se, uma hora mais tarde, o PCP. O Bloco de Esquerda deverá ser recebido pelas 12h00. Na quarta-feira, às 10h00, será recebido o CDS-PP e o encontro com o PSD está previsto para as 11h00. A sequência de audiências irá terminar às 12h00 de quarta-feira com a reunião entre o Chefe de Estado e a delegação socialista.

Cavaco na mira de Nobre
Cavaco Silva é o alvo preferencial de Fernando Nobre numa entrevista hoje publicada pela agência Lusa. O candidato à Presidência da República coloca o nome do actual Chefe de Estado entre os responsáveis pelo quadro económico e financeiro do país, uma vez que promulgou os anteriores orçamentos do Estado.

“O actual Presidente da República tem promulgado todos os orçamentos que nos conduziram ao ponto a que chegámos. Promulgou inclusive a adjudicação da obra da primeira empreitada do TGV até ao Poceirão”, recorda Nobre na entrevista à agência de notícias.

“De que é que serve termos um Presidente da República que é formado em Economia e Finanças?”, questiona-se o fundador e presidente da Assistência Médica Internacional, para logo argumentar que o Presidente “tem poderes suficientes para, na altura certa, dizer agora assim já não se joga mais, intervenho na Assembleia da República, faço uma intervenção ao país, convoco o meu Conselho de Estado para dizer agora chegou, por aí já não vamos mais”.

“Temos estado a permitir que o Estado se esteja a endividar a um tal ponto que, se fosse uma família portuguesa, já estava em falência e já não teria a mínima oportunidade de obter crédito na banca”, afirmou ainda Fernando Nobre, para quem “mais do que chegar a um consenso” sobre o Orçamento do Estado do próximo ano se impõe delinear um “Orçamento com qualidade”, de “rigor” e “que não penaliza os mais fracos”.
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