Política
Cavaco Silva aplaude livro de Passos Coelho e critica tradição de não prestar contas
O ex-Presidente da República elogia o facto de o ex-primeiro-ministro Passos Coelho estar também a escrever um livro e diz que sempre criticou a má tradição de em Portugal os políticos não prestarem contas.
"Tem o meu total apoio, independentemente daquilo que ele escrever", afirmou Cavaco Silva numa entrevista esta sexta-feira à rádio TSF a propósito do seu segundo livro de memórias.
Passos Coelho considerou que o segundo livro de memórias de Cavaco Silva dá uma "contribuição muitíssimo relevante" para o entendimento dos tempos da `troika`, mas admitiu que o livro "não diz tudo", prometendo "dizer e juntar" muitas coisas no livro que está a escrever.
Numa reação às declarações de Passos Coelho, Cavaco Silva responde: "Logo no início desta entrevista eu critiquei a má tradição em Portugal de os políticos não prestarem contas por aquilo que fazem".
"Se Passos Coelho fizer isso tem o meu total apoio, independentemente do que ele escrever... tal como aquilo que eu conto - que foi o que se passou, são os factos - deve estar lá para que os portugueses saibam como atua o Presidente da República, independentemente de gostarmos ou não gostarmos do que está lá", afirmou.
Sobre as críticas, vindas sobretudo do Partido Socialista, à falta de sentido de Estado do ex-Presidente da República, Cavaco responde: "De alguma forma já esperava".
Na entrevista, Cavaco sublinha igualmente que ao escrever o seu segundo livro de memórias sobre o tempo em que esteve no Palácio de Belém deixou de lado "tudo o que eram questões pessoais" e "tudo o que podia ferir o superior interesse nacional".
Na primeira parte da entrevista à TSF, Cavaco Silva garante que o livro que agora publica não contém, em si, qualquer "picardia" e que procurou até ser "bastante delicado." Quanto às críticas que tem ouvido, prefere não fazer "nenhum comentário."