Cavaco Silva aplaude livro de Passos Coelho e critica tradição de não prestar contas

Cavaco Silva aplaude livro de Passos Coelho e critica tradição de não prestar contas

O ex-Presidente da República elogia o facto de o ex-primeiro-ministro Passos Coelho estar também a escrever um livro e diz que sempre criticou a má tradição de em Portugal os políticos não prestarem contas.

RTP /
Cavaco Silva com Pedro Passos Coelho na apresentação do livro do ex-Presidente da República António Cotrim - Lusa

"Tem o meu total apoio, independentemente daquilo que ele escrever", afirmou Cavaco Silva numa entrevista esta sexta-feira à rádio TSF a propósito do seu segundo livro de memórias.

Passos Coelho considerou que o segundo livro de memórias de Cavaco Silva dá uma "contribuição muitíssimo relevante" para o entendimento dos tempos da `troika`, mas admitiu que o livro "não diz tudo", prometendo "dizer e juntar" muitas coisas no livro que está a escrever.

Numa reação às declarações de Passos Coelho, Cavaco Silva responde: "Logo no início desta entrevista eu critiquei a má tradição em Portugal de os políticos não prestarem contas por aquilo que fazem".

"Se Passos Coelho fizer isso tem o meu total apoio, independentemente do que ele escrever... tal como aquilo que eu conto - que foi o que se passou, são os factos - deve estar lá para que os portugueses saibam como atua o Presidente da República, independentemente de gostarmos ou não gostarmos do que está lá", afirmou.

Porque, lembra Cavaco, prestar contas "é banal noutros países. Eu tenho em casa cerca de 50 biografias de grandes políticos de todo o mundo e lá fora é normal eles exprimirem opinião".

Sobre as críticas, vindas sobretudo do Partido Socialista, à falta de sentido de Estado do ex-Presidente da República, Cavaco responde: "De alguma forma já esperava".

Na entrevista, Cavaco sublinha igualmente que ao escrever o seu segundo livro de memórias sobre o tempo em que esteve no Palácio de Belém deixou de lado "tudo o que eram questões pessoais" e "tudo o que podia ferir o superior interesse nacional".

Cavaco Silva diz exprimir "os pensamentos que me atravessaram em cada acontecimento", ao mesmo tempo que dá conhecimento "do que eu fiz ou deixei de fazer. Os portugueses têm direito a saber como é que o Presidente da República reagiu num dos períodos mais dramáticos da vida do país".

Na primeira parte da entrevista à TSF, Cavaco Silva garante que o livro que agora publica não contém, em si, qualquer "picardia" e que procurou até ser "bastante delicado." Quanto às críticas que tem ouvido, prefere não fazer "nenhum comentário."
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